Dachau é uma pequena cidade alemã situada a cerca de 5km de Munique (Bavaria) e famosa por ser onde se encontra o primeiro - e um dos maiores - campo de concentração de toda a Alemanha.
Eu tive a belíssima oportunidade de visitar (e entender) esse especial campo de concentração. Guiada por um australiano, conheci sobre a história desse lugar. Logo na chegada se vê um portão, com os seguintes dizeres:
"Trabalho faz livre"Esse 'lema' iludia os prisioneiros que, ao se depararem com a frase logo no portão de entrada da prisão, acreditavam que quanto mais duro trabalhassem, mais cedo poderiam ser libertados. As construções são ainda originais, mas o portão é uma réplica, já que o original foi destruído por soldados americanos (que quando chegaram lá para dispersarem os prisioneiros e viram tantos corpos, alguns já em estado de decomposição, ficaram chocados e em estado de raiva. Tomaram pra si o lema "Take no Prisoners" e por vingança pessoal, começaram a matar alguns SS que viam pela frente).
Quando cruzei o portão, eu estava definitivamente no Campo. Campo onde cerca de 200 mil prisioneiros (de acordo com dados, acredito que bem mais) andavam por horas, sofrendo, agonizando e alguns até morreram. Do campo se pode ver as construções onde os prisioneiros dormiam e trabalhavam, algumas construídas pelos próprios. Dentro de uma, há réplicas dos modelos de móveis, 'camas' em que eles dormiam e móveis da 'cozinha'. Em outro, um museu com mais fatos, fotos, textos, peças de roupas, alguns documentos e modelos de aparatos que usavam pra tortura.

Nesse, por exemplo, os prisioneiros faziam uma fila e iam, um a um, apanhar. Enquanto apanhavam tinham que contar, em alemão, cada paulada. Se confundissem, esquecessem ou se perdessem a conta, voltava-se ao numero 1 e assim se seguia. Detalhe: grande parte dos presos não eram alemães, por isso, tinha-se a cultura de logo na chegada ao campo, aprender a contar em alemão. Os presos eram parceiros, então os que já sabiam contar ajudavam os outros a aprenderem. Se não me engane, eles tinham que saber até o 100, mas se resolvessem bater mais, também tinham que saber (eu, quando soube dessa historia, comecei a contar caladinha em alemão, só pra ver se eu conseguia mesmo).
De frente pro prédio que hoje é o museu, tem uma grande escultura feira por um dos sobreviventes do Dachau.

É um lugar bem interessante de se visitar. Além de ser carregado de historia, com relíquias e tudo mais, também temos um cenário bem bonito, cheio de árvores, que deixa o ambiente um pouco menos pesado e triste. Nas partes mais bonitas, em um bosque, por exemplo, é onde se encontra alguns corpos enterrados e dizeres e cruzes em memória aos que ali morreram injustamente. Também é perto do crematório e da câmara de gás que 'não possuem registros de que foram utilizados', mas que pra mim não faz diferença já que esse (que sou convicta de que foi sim usado) serviu de modelo pra muitos outros que tem-se registro de que foram utilizados. Quando se está lá é que cai a fixa de quão recente e real foi tudo isso, dá até um certo medinho de que aconteça de novo.

Enfim, o lugar desperta muitos sentimentos difíceis de serem explicados, porque apesar de ver sobre toda a história triste que aconteceu ali e não me sentir feliz por isso, eu me sentia feliz e de certa maneira aquele lugar dá a maior paz. Deve ser porque está vazio e inutilizado. Só sei que foi um dos lugares mais interessantes que já fui até agora e recomendo uma visita (no site, pelo menos, já que Dachau é um pouquinho longe).
www.kz-gedenkstaette-dachau.de