
A Praça Tubal Vilela foi projetada pelo arquiteto João Jorge Coury, o primeiro a se fixar na cidade, também figura intelectual de importância no cenário social das décadas de 40, 50 e 60, período em que se constituiu a arquitetura moderna
em Uberlândia. Como arquiteta [quase] me sinto no direito de discordar de uma nota publicada no nosso jornal a algumas semanas. [Leia a nota] É incrível como está incrustada nas mentes de alguns de nossos cidadãos, como em todo o Brasil, a idéia de que a o avanço tecnológico está intimamente ligado ao transporte, principalmente ao automotivo particular. Simples perceber quando sabemos que a invenção dos primeiros carros marca uma revolução industrial que irá dar início a mudanças significativas ao espaço urbano. O que não posso [podemos] aceitar é que nos escravizemos de uma tecnologia quando esta pode ser facilmente dispensada em diversos momentos. Afinal, vamos ao centro de carro quando este é totalmente servido de transporte público, vamos a faculdade de carro quando moramos a alguns quarteirões dela e ainda reclamamos de não achar vagas no estacionamento. Mais do que uma revitalização dos centros urbanos, ou um redesenho da circulação viária da cidade, é preciso redesenhar o nosso pensamento, torná-lo crítico, comunitário e auto-reflexivo. Pensar numa cidade sem praças, locais de encontro social e respiro urbano é quase um pesadelo tão grande quanto ao do Sr. Beregaray ao pensar que a cidade está se definhando por falta de estacionamentos. Definhada está a mente da população sobre rodas.
7 comentários
Parabéns pela ótima estréia.
Muito bacana seu texto, cara colega. Leve e pertinente. Mais tráfego (de gente, de idéias, de ações), menos trânsito. Abraço. Estéfani
A otimização do transporte público (humanizado) vai ser a briga do século.
ficou fera esse texto
10
lindo mesmo!
Realmente, as praças de Uberlândia andam sendo muito pouco aproveitadas. ¬¬
Me preocupo com parcela dos leitores do Correio.
Confesso que o sistema de transporte público de Uberlândia tem seus defeitos (passe a R$ 2,20 é um assalto!), mas eu adoro andar de ônibus. Para mim, cada viagem é um passeio antropológico riquíssimo, cheio de vida. Enfim, prefiro mil vezes a vivacidade de um coletivo lotado no fim do dia à solidão sistêmica dentro de um carro.
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