quinta-feira, 14 de maio de 2009

Praxis....

O que é o conhecimento científico, senão uma forma metódica e sistemática de chegar a resultados que, teoricamente, são de utilidade pública? Do que vale todo esse conhecimento se o mesmo não for aplicado para uma evolução conjunta?

Tomemos o exemplo do Japão, que quando precisa desenvolver alguma coisa que só é possível existir na cabeça dos cientistas, como um “chip”, por exemplo. Faz competições entre universidades e premia a vencedora com altas gratificações que chegam a valores de $1.000.000,00 para a instituição que conseguir desenvolver a tecnologia necessária e acessível, o que é o mais importante.

Segundo estudos realizados por [1], o Brasil é o terceiro país do mundo em produção de energia a partir de Usinas Hidrelétricas, ficando atrás somente do Canadá e EUA. Esse empreendimento energético gera impactos ambientais irreversíveis. Para citar apenas alguns: altera o curso e o nível dos rios, altera a fauna e flora da região, principalmente a fauna aquática (diversas espécies de peixes já estão em extinção), provoca alagamento de áreas vizinhas, etc. Sem contar que Hidrelétricas emitem mais Gases de Efeito Estufa (GEE) do que as Termelétricas. Devido à presença de matéria orgânica no fundo dos lagos, oriunda do não desmatamento das florestas existentes quando foi alagado, favorecendo a presença de microrganismos anaeróbicos, que tem como produto de sua síntese energética CH4 e CO2. Dois dos GEE mais importantes.
Uma das formas alternativa de se produzir energia eficiente e sem ter todos esses efeitos colaterais é utilizando a energia solar. A luz solar proporciona ao Brasil, em cada dois dias, energia igual a todas as reservas remanescentes de combustíveis fósseis [2]. Chegamos aonde quero refletir, quando introduzi a idéia dos japoneses. Um grande empecilho para se utilizar placas fotovoltaicas como fonte de energia elétrica, sendo que ela produz até 1.000 Watts de energia por metro quadrado, é a questão financeira e técnica, pois essa energia se apresenta pra nós de forma difusa e para ela ser transformada em uma eficiente fonte energética, devemos captá-la e concentrá-la. O que custa caro!

Estão se perguntando pra que esse Bernardo está escrevendo isso?

O meu objetivo é mostrar que se o governo investir em pesquisas, premiando e reconhecendo as instituições, duvido que não saia um projeto de placas fotovoltaicas mais baratas. Olha o nordeste aí minha gente! Sol de Janeiro à Janeiro!! Pois se cobrirmos Itaipu com elas fornecemos energia para toda a América Latina.
Dizem que o hidrogênio é o combustível do futuro, porém a energia gasta para liberá-lo, é maior do que a que ele libera. Segundo [3], já existem células solares que imitam o processo da fotossíntese, e ao invés de produzirem carboidratos, como nos vegetais, essa “fotossíntese” está sendo utilizada para dissociar a molécula de água em Hidrogênio e Oxigênio.
Para quem não quiser placas fotoelétricas e hidrogênio, existe uma outra forma de se aproveitar a energia solar através de espelhos que direcionam o raios para uma torre que capta o calor...mas os EUA nunca deixarão nos aproveitarmos disso né??...Ou seria uma questão de atitude do governo brasileiro??

Ou seja, a pesquisa é a chave para o progresso, porém se não tiver extensão essa porta nunca se abrirá.

Ahhh já ia me esquecendo, agora recentemente descobriram um tal de pré-sal, que dizem que tem MUITO petróleo. Agora é que não vão se preocupar com o planeta mesmo...rsss... Imaginem uma garrafa Pet cheia d’água, se retirarem essa água a garrafa amolece, pode ser o que acontecerá com o Planeta, o que serão esses movimentos cada vez mais constantes de placas tectônicas, os Árabes estão cada vez mais retirando essa “água da garrafa”...daqui a pouco os sheiks seremos nós, RICOS com o Pré-sal...!!

Referências:

[1] KEMENES A.; FORSBERG B. R.; & MELACK J. M. 2007. Methane release below a tropical hydroelectric dam. Geophisical Research Letters. Vol. 34.
[2] MORO, T. S.; & ALFARO A.T.S. 2008. Apresentação do projeto Aquecedor Solar – integrando desenvolvimento sustentável e qualidade de vida. 4º Encontro de Engenharia e Tecnologia dos Campo Gerais.
[3] RICHTER C.; JAYE C.; PANAITESCU E.; FISCHER D. A.; LEWIS L. H.; WILLEY R. J.; & MENON L. 2009. Effect of potassium adsorption on the photochemical properties of titania nanotube arrays. Journal of Materials Chemistry. Vol. 17.

6 comentários

Eduardo Janú disse...

que isso hein
fico fera pra caramba o texto
e concordo com tudo que vc escreveu
abraço

Pablo Cândido disse...

treta! boa concientização.

Felipe Tavares disse...

O pré sal era vantajoso quando o barril de petróleo estava alto. Agora com o barril custando pouco menos de 60 dólares fica mais barato importar do que retirar dessas águas profundas.

Você esqueceu de citar o que eu acho mais importante quando o fato é desenvolvimento de fontes alternativas de energia, que é o encargo sobre os produtos que mais poluem na sua produção e consumo. Isso gera um efeito cascata, mas é uma forma de tornar as fontes em desenvolvimento competitivas. Sem esquecer, claro, das políticas de incentivo citadas.

Bernardo Cândido disse...

Concordo plenamente contigo Tavares...depois com mais calma trarei aqui alguns projetos reais feitos por alguns institutos que visam uma sustentabilidade no desenvolvimento, dentre eles criação de sistemas de captação de água, da chuva, reaproveitamento de água utilizada residencialmente para fins diversos, é claro...diminuindo os impostos para quem realizar tais ações. Quando eu tiver dados reais trarei aqui pra todos verem a realidade desse nosso país...infelizmente.

Um Forte abraço a todos!!!!

Tatiana disse...

Olá B. Cândido,

Gostaria de saber se vc tem alguma referência sobre o fato de hidroelétricas emitirem mais gases do efeito estufa que as termelétricas.

Além da energia solar, como citou, acho importante ressaltar a produção de hidrogênio a partir da hidrólise, que apesar de ser um processo de alto custo energético, pode ser aplicado, principalmente no caso do Brasil, aos desperdícios por parte das hidrelétricas, quando excedem o nível e abrem as comportas, ou seja, esta energia desperdiçada pode ser convertida em H2, o qual alimenta células a combustível, gerando energia elétrica a partir de fontes 'limpas', a qual pode ser armazenada.

Outro fato é que, o governo investe bastante em pesquisa, principalmente na área tecnológica, o fato não é se investir mais, e sim se investir em diversidade, ou seja, a pesquisa deveria ser menos determinada pela política. Por exemplo, no Brasil, temos a rede de H2, a qual é direcionada à pesquisa para a produção de H2, e projetos ligados a produção de H2 via hidrocarbonetos (reforma de CH4, processo já consolidados na geração de H2, etanol, GLP, etc.... ) são mais 'bem vistos' que projetos que utilizam a hidrólise, veja se isso faz sentido do ponto de vista da pesquisa? então, faz sentido do ponto de vista político, a utilização de combustíveis fósseis como período de transição. Espero que esta transição não dure tanto (inclusive com o pré-sal), pois já temos várias fontes alternativas que não têm suas utilizações incentivadas.

a+

Bernardo Cândido disse...

Olá Tatiana,

A referência está citada no texto. O artigo foi publicado na Geophysical Research Letters, não sei se conhece mas é muito conceituada no meio científico. O título da publicação é: "Methane release below a tropical hydroelectric dam". O biólogo Alexandre Kemenes foi quem conduziu a pesquisa, ele faz parte do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Se você conseguir o artigo leia pois é interessantíssimo.

Com relação à energia advinda do Hidrogênio, citei no texto uma pesquisa realizada recentemente, no qual estão produzindo energia hidrogenada à partir da quebra da molécula de água através da luz solar. Se quiser tenho esse artigo em ".pdf", posso te mandar.

Concordo contigo quando fala da necessidade de se diversificar os investimentos em pesquisas, e foi esse um dos focos do meu "post". Mostrar que potencial nós temos, só falta eles lá de cima quererem investir.

Um forte abraço!!!