segunda-feira, 6 de julho de 2009

Alberto, o homem sem mais idade pra amar – parte 1

Telefone toca, toca, toca...

- Alô.

- Está pronto?

- Infelizmente.

- Anime-se, estarei ai em dez minutos.

Não posso acreditar que em dez minutos vou sair novamente. Festinhas medíocres e menininhas que não gostam de sexo. Ambas adoram a minha carteira. Antes ligar para uma garota de programa e continuar minha noite em minha casa, seria muito mais divertido e, apesar da GP também amar minha carteira, neste caso é um misto de franqueza e verdade.

Em dez minutos estarei entrando no carro de meu amigo, vamos demorar cerca de 20 minutos até chegarmos a tal casa noturna. Pagarei um absurdo apenas para entrar na festa, vou beber exageradamente para pensar que a vida é livre e louca, provavelmente vou receber muitos foras até perceberem que minha carteira esconde algo chamado “felicidade momentânea”. Depois de pagar algumas bebidas para a moça, ela vai pensar se me beija. Caso isso ocorra, preciso ser o cara mais mentiroso do planeta para enganá-la e levá-la para a cama. Como isso, provavelmente, não vai acontecer serão alguns reais a menos em minha carteira que possivelmente pagaria os serviços de Dolores, minha GP favorita. E isso tudo começará em dez minutos.

Cinco horas e trinta minutos mais tarde.

- Alô, Dolores?

- Não conseguiu pegar ninguém de novo?

- Ganhei alguns beijos.

- Mesmo? Quem é gata?

- Várias.

- Várias? O que houve com você?

- Beijos no rosto. Você sabe não tenho mais idade para amar...

- São 5h, estou cansada e com sono. Ligue amanhã.

Malditos dez minutos.