quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Florbela espanca após o suicídio


Não mais quero mais de mim;
Quero mais que mais do que quero a mim;
Chuvas brancas de confusão limitam-me a amar o amor;
O cheiro da solidão permeia no solo do desejo carnal;
As tentativas de fuga fugiram em meio ao caos da emoção;

Não mais vou ali, mas aqui, aqui dentro;
Aqui? Não mais... um pouco mais além, um pouco mais profundo e profano que aqui;
Aqui e agora longe da afeição, longe da humanidade, longe da racionalidade;
Perto do amor que saí da desilusão do dia-pós ser ameno;
Que seja ameno enquanto dure à dor de viver;

Não mais vou retardar o meu instinto;
Meu instinto de sobrevivência; de vivenciar o autoamor perdido;
Vou antecipar os desejos e equilibrá-los desigualmente sobre a razão de ser;
Vou correr campos floridos da minha imaginação e agir como tal imaginação;
Vou deixar cair frutas vermelhas silvestres no meu chão puro e ingênuo;

Não mais vou desprender meu instinto gata manhosa;
Não mais vou deixar de ronronar em todos os colos – mesmo que por interesse à favor da auto-fé;
Não mais vou desviar meus olhos do animal; vou comê-lo com os olhos e com êxtase;
Vou fazê-lo me mimar até dormir e saber que no outro dia ele estará a querer mais na minha cama; Ó! Quanta luxúria na imaginação.

Não mais vou viver de migalhas; vou viver de pães inteiros;
Vou viver várias migalhas; vou juntá-las em uma só peça íntima minha;
Vou me lambuzar de angústia, mas vou me lambuzar ainda mais de prazer;
Que venham os prazeres momentâneos... para eu saber que existem duradouros;

Não mais quero o não mais; quero desprender da filosofia extremista;
Quero aniquilar o não mais e transformá-lo em quem sabe;
Do extremismo, que sobre o sabor da felicidade e não da frustração por ser extremista; da boca ao desejo, quero gritar a voz do desejo continuamente nos meus dias e incorporá-lo aos meus lábios; lábios extremistas que querem mais voz e mais sensação; para saber que são duradouros no meu íntimo;

Não mais quero buracos de Tempo; quero ápice de Tempos;
Não mais quero analisar o Tempo; quero viver o Tempo e analisar pois;
Não quero mais paralisar no Tempo – quero livrar o Tempo de qualquer paralisia;
Quero o caos do Tempo no nosso tempo; desacelerar o tempo e vivê-lo a cada momento com intensidade, eternidade e desbloqueios;
Quero o Tempo da imperfeição; para avaliar, já tardio, os conceitos de perfeição e logo depois passar ao Tempo da perfeição;

Não mais quero normalidade estratégica; quero loucura desprovida de estratégia;
Quero loucura e quero pessoas – não quero símbolos;
Não quero mais o possuir quero o Possuir A sensação;
Não quero viver todos os dias; quero morrer nos momentos todos os dias até o fim dos meus tempos;