quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Música Comercial x Música Independente

Sempre tento explicar o porquê de eu não gostar de algumas bandas, ou de alguns estilos que a grande maioria gosta. A meu ver esses artistas que não necessitam ser citados, pois são muitos, se encaixam perfeitamente não só nos quadros da música comercial, mas também se adequam ao conceito de indústria cultural, sendo este mais amplo, abrangendo toda forma de arte.

Claro que gosto de muitos artistas que fazem sucesso, por entender que um artista de sucesso não obrigatoriamente está vinculado a indústria cultural. Como músico sei admitir que muitas dessas bandas e artistas, desde o pop rock, axé, sertanejo e vários outros estilos, possuem ótimos músicos, que estudaram e sabem muito de teoria e prática musical, mas que fazem a meu ver uma música totalmente descartável, transformando a arte num mero produto de mercado.

Pode parecer contraditório eu dizer que ótimos músicos façam música e arte de péssima qualidade. Para tentar ajudar em minha explicação do porque de eu não gostar de tal arte, agora tomo emprestado de maneira superficial, conceitos do que vem a ser a chamada indústria cultural.

“É uma cultura feita em série, industrialmente para um grande número, passa a ser vista não como instrumento de crítica e conhecimento, mas como produto trocável por dinheiro e que deve ser consumido como se consome qualquer outra coisa. E produto feito com as normas gerais em vigor: produto padronizado, como uma espécie de kit para montar, um tipo de pré-confecção feito para atender necessidades e gostos médios de um público que não tem tempo de questionar o que consome. Uma cultura perecível, como qualquer peça de vestuário. Uma cultura que não vale mais como algo a ser usado pelo indivíduo ou grupo que a produziu e que funciona, quase exclusivamente, como valor de troca (por dinheiro) para quem a produz.” “Procurando a diversão, a indústria cultural estaria mascarando realidades intoleráveis e fornecendo ocasiões de fuga da realidade.”
A sociedade de consumo, alienação e reificação, produtos culturais impregnados de uma cultura simplificada.

Para se moldar a esse mercado, temos todo um aparato de gravadoras e produtores ávidos por novos talentos, que se adequem a fórmulas pré-estabelecidas. Procuram por novos jota- quests, novos nx-zeros, novas duplas sertanejas, e o que não faltam são candidatos a conseguir tais vagas. Com certeza com a moda emo ainda apareceram muitos candidatos a serem o novo fenômeno das garotas de 15 anos. Assim, artistas que antes tinham algum mérito artístico por fazer algo novo, fazem de tudo para se encaixar na música do momento, “limpando” letras, sons, trocando de músicos, atitude e ideologia (se algum dia tiveram uma).

Na música independente, nem tudo são flores, claro que não gosto de tudo também. Mas o principal atrativo é a ausência de limites, de regras, há o incentivo de se criar o novo, uma estética nova, pois arte é não só diversão e sentimentalismo barato é se sentir anestesiado por algo que leve a diferentes tipos de emoções, o choque, a náusea, que podem dar muito mais prazer do que qualquer música bem tocada e bem produzida, pois o prazer também contesta.