quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Estamos falidos

Outro dia em um evento estudantil recebi um pequeno jornal de um coletivo de universitários com o título: “Maio de 68 não morreu!”. No Brasil morreu sim, no mínimo está na UTI.  O movimento estudantil está falido e o problema talvez não esteja apenas na despolitização e falta de mobilização do atual estudante brasileiro.  O modelo de ensino nas Universidades do nosso país é claramente voltado para a intensa especialização e descontextualizado, das realidades sociais, econômicas e culturais do país.

Fazendo um apanhado histórico que é de amargurar qualquer ex-militante do movimento estudantil do século passado, o contraste com a situação atual é escandaloso, embora o contexto político “favorecesse”, “estimulasse” e “pedisse” uma maior participação do estudante. Começando pelo famoso ano de 68, em pleno decreto do AI-5 com as enormes manifestações pela redemocratização do país e contra a reforma universitária, sem falar na participação em peso na passeata dos 100 mil. No 2º governo Vargas os estudantes se mobilizaram (mas mobilização de verdade, importante, considerável), pela campanha “O Petróleo é nosso!” e pela entrada do Brasil da Segunda Grande Guerra. Em 1978 o congresso clandestino da UNE em Salvador, as Diretas já em 84 e o Fora Collor em 92. Um currículo que não é de se jogar fora, mas é o que está sendo feito. 

Que os militantes de plantão me desculpem, mas o atual movimento estudantil já não cumpre mais seu papel e cheira à insensatez. A UNE não funciona mais como defensora dos direitos estudantis e está claramente sujeita aos interesses de partidos políticos aliados ao atual governo, o que é comprovado pelo Congresso Nacional dos Estudantes, ocorrido em junho deste ano na UFRJ, onde milhares de estudantes se reuniram com o intuito de boicote e de se tornar uma alternativa à União Nacional dos Estudantes. Algumas ações ainda acontecem, mas sem a devida organização, mobilização e união dos estudantes, como a ocupação da Reitoria da UNB que derrubou o Reitor,  confrontos com a polícia na USP em protesto às ações da Reitora Suely e às eleições indiretas para a reitoria este ano, que uniu estudantes, professores e funcionários, ambas no ano passado. Destaque também para a louvável, embora pouco divulgada pela grande mídia, mobilização dos estudantes no Rio Grande do Sul este ano pelo impeachment da governadora tucana Yeda Crusius e sua (des)atuação lamentável na educação do estado.

Mas agora os ares são outros. A crise do Senado/Sarney passou, o ENEM foi cancelado, dentre dezenas de outros escândalos políticos que podem ser citados que aconteceram somente este ano e que foram na prática esquecidos. Nada foi feito, nenhuma tentativa. É, soaria muito artificial, para não dizer ridículo, um apelo ao “Estudantes de todo o país, uni-vos!”