domingo, 31 de maio de 2009
Big Brother is watching you
O que diria Eric Arthur Blair, mais conhecido sob o pseudônimo George Orwell, sobre essa tremenda ironia em terras catalãs?
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01:15
Big Brother is watching you
2009-05-31T01:15:00-03:00
Felipe Tavares
Felipe Tavares|
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Felipe Tavares
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Quando Nietzsche Chorou
Mesmo com indisponibilidade de tempo foi com incrível rapidez que devorei esse exemplar, o que pode ser facilmente explicável em algumas colocações. O que falar de um livro que trata de um possível começo da psicanálise de forma séria e profunda? O que dizer de uma clarificação da personalidade de um dos mais cativantes e solitários filósofos do fim do século XIX? E o que dizer de um possível embate psicológico entre o Dr. Breuer (verdadeiramente um dos pais da psicanálise) e o poderoso e reservado Fiederich Nietzsche?Sem criar estruturas narrativas complexas e diferentes esse livro faz o básico com incrível capacidade o que já é louvável por si só, quando vemos livros famosos sem o mínimo necessário para se tornarem tais a não ser pela publicidade e pelo esnobismo das classes ditas cultas que lêem e acham bom qualquer porcaria que seja lançada como um sucesso de vendas.
Não é só em seu conteúdo que o livro se destaca, mas também na forma como é proposto, magistralmente escrito ele possui todas as formas variadas e até hábeis de manter o leitor concentrado na trama, que muito bem (também) desenvolvida deixa momentos de tensão, angústia e relaxamento bem distribuídos ao longo dos capítulos, que chamam uns aos outros em seqüência, obrigando o leitor a não parar de ler até que vire as ultimas páginas, ficando com aquele sentimento de quero mais, já que está tão apegado aos personagens.
É com total cuidado que ele propõe possíveis diálogos entre os protagonistas, que existindo na vida real nunca se encontraram de fato. Refletem o peso de uma pesquisa cuidadosa de como eram, se comportavam e provavelmente agiam os personagens. Aplicando enxertos de cartas que realmente foram trocadas entre algumas pessoas como o grande compositor Wagner e a poderosa Lou Salomé, ele dá mais densidade e desconfiança da veracidade dos fatos, essa que só vamos descobrir ao ler os seus comentários no fim do livro, recomendo que leiam o livro sem saber o que é verdade ou invenção, pois dá um sabor maior à leitura.
Os cenários criados e suas interpretações assim como possíveis origens do estudo dos sonhos é algo que soa totalmente verossímil ajudando o leitor a entrar dentro da historia e praticamente viver conjuntamente essa historia que em sua origem é misteriosa, depois ficando angustiante e em seu final concluindo de forma tocante e emotiva. Todos os sentimentos são muito bem construídos passando ao leitor de forma automática e profunda.
Quanto aos artifícios utilizados são muito bem colocados, como perguntas no final de um capítulo que serão respondidas logo no começo do próximo, fazendo você virar a página automaticamente, a forma de propor o embate entre Breuer e Nietzsche que é feito de várias sessões e você não consegue terminar uma sem saber o que vai ser dar na próxima e quando essa freqüência é descontinuada você já está tão absorto na historia que esquece da vida. Outra qualidade é colocar o suspense logo de cara no primeiro capitulo nas primeiras páginas, deixando a pulga atrás da orelha sobre o que vai dar tudo aquilo.
Enfim, o livro é, além de ser um livro pop, muito bem escrito e magistralmente tocante, tanto para quem aprecia uma boa estrutura literária, quanto para quem quer conhecer, minimamente que seja, os personagens (que foram seres reais) ou quem é interessado em fatos históricos em uma reconstrução angustiante de uma época em que o homem se via preso (o que não mudou muito até hoje). Ou até para aqueles que se interessam em possíveis acontecimentos históricos, que nunca ocorreram.
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21:56
Quando Nietzsche Chorou
2009-05-29T21:56:00-03:00
André Campos
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André Campos
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Clean Coal
O termo clean coal, ou carvão limpo, é muito utilizado para defender o processo sujo de geração de energia elétrica através das usinas termelétricas, a principal fonte geradora dos EUA. É certo que a tecnologia é válida pois é melhor reduzir os efeitos negativos do que não fazer nada. Mas aqui está a realidade sobre o carvão limpo. Assista dois anúncios sobre essa tecnologia. Infelizmente os vídeos não são legendados.
Na verdade carvão limpo não existe. Essa é a mensagem que a campanha This is Reality traz. Parabéns aos autores das propagandas. Ficaram ótimas.
Na verdade carvão limpo não existe. Essa é a mensagem que a campanha This is Reality traz. Parabéns aos autores das propagandas. Ficaram ótimas.
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Felipe Tavares
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Lamento
Para Chico Science
Feito um afro-samba
embolo
a perda que veio e me atropelou.
Lamento o sangue daqueles que nos quiseram acordar
Sou aquele que não tem nome
Sou poeta feito de silêncios
de pausas
de interrogações
tão necessárias...
Tão...
Raras
Falsas
pois
poeta
não se cala
poeta
escarra na cara
da multidão
Um poema
feito uma sentença de morte
Uma morte
Uma ceia
Desse deus que leva ontem quem não podia ir hoje
e deixa para amanhã, quem hoje já apodreceu
vivo
talvez como um Chico duma dessas paragens
Dum desses recifes
Salve! Salve! Salve o solto e o virado
Duma dessas construções
castelo de ar onde o mar poético habita
Dumas dessas sensações
de gozo rebatizado no mangue
Que nos persegue
Até nos reencontrarmos...
VS
Salve um dos arquitetos da música brasileira. Salve Chico Science, hoje, amanhã e depois. Mestre último da mistura, da miscigenação, da mescla, do amálgama.
Lembrem-se do mantra afrocibernéticoavanteguardmanguegroove: "Uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor."
"Pilotem suas próprias cabeças." Du Peixe
Abraços manguefônicos a todos,
Estéfani
Feito um afro-samba
embolo
a perda que veio e me atropelou.
Lamento o sangue daqueles que nos quiseram acordar
Sou aquele que não tem nome
Sou poeta feito de silêncios
de pausas
de interrogações
tão necessárias...
Tão...
Raras
Falsas
pois
poeta
não se cala
poeta
escarra na cara
da multidão
Um poema
feito uma sentença de morte
Uma morte
Uma ceia
Desse deus que leva ontem quem não podia ir hoje
e deixa para amanhã, quem hoje já apodreceu
vivo
talvez como um Chico duma dessas paragens
Dum desses recifes
Salve! Salve! Salve o solto e o virado
Duma dessas construções
castelo de ar onde o mar poético habita
Dumas dessas sensações
de gozo rebatizado no mangue
Que nos persegue
Até nos reencontrarmos...
VS
Salve um dos arquitetos da música brasileira. Salve Chico Science, hoje, amanhã e depois. Mestre último da mistura, da miscigenação, da mescla, do amálgama.
Lembrem-se do mantra afrocibernéticoavanteguardmanguegroove: "Uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor."
"Pilotem suas próprias cabeças." Du Peixe
Abraços manguefônicos a todos,
Estéfani
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Estéfani Martins
terça-feira, 26 de maio de 2009
Academic Earth: Conhecimento acadêmico livre
A internet tem um enorme potencial para promover boas atitudes e a Academic Earth ilustra isso muito bem. A instituição leva as aulas de algumas das melhores universidades dos EUA para todo o mundo. São aulas e palestras das universidades de Berkeley, Harvard, MIT, Princeton, Stanford e Yale, agrupadas por tema, professor ou universidade.A idéia é de Richard Ludlow, formado em economia pela Yale, que ao procurar aulas de álgebra linear na internet percebeu a necessidade de agrupar esses vídeos de forma organizada e amigável. E o site faz isso muito bem. São diversos cursos gratuitos de vários temas. O que antes era acessível apenas a um pequeno grupo de pessoas está disponível a todos que tenham acesso à internet, reforçando o melhor papel desempenhado pela web, que é o de espalhar o conhecimento.
Os temas vão de astronomia, física, matemática e engenharia a biologia, história, economia e ciência política. O campo é vasto e com certeza tem algo relacionado com o que gosta e/ou estuda. Na seção Playlist é possível ver as escolhas dos editores, como os grupos de palestras Entendendo a Crise Financeira e Guerras na História. É bom lembrar que o site é todo em inglês, portanto o seu listening tem que estar afiado.
Além das aulas em si, gostei muito de saber como é a estrutura das melhores universidades do mundo. E não é surpresa que estamos longe desse padrão. Todos os vídeos que assisti mostravam professores de altíssimo nível com recursos ilimitados, coisa que ainda não vemos por aqui.
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22:49
Academic Earth: Conhecimento acadêmico livre
2009-05-26T22:49:00-03:00
Felipe Tavares
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Felipe Tavares
elementar, meu caro watson
Sherlock Holmes, interpretado por Robert Downey Jr., sob a ótica de Guy Ritchie. Em novembro, nos cinemas.
Intenso, não?
Intenso, não?
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10:21
elementar, meu caro watson
2009-05-26T10:21:00-03:00
Frederico Oliva
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Frederico Oliva
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Mundo Clown

Todos temos um Clown/Palhaço dentro de nós, a questão é encontrar o caminho até ele.
(Jacques Lecoq).
(Jacques Lecoq).
Numa releitura da brincadeira "O Mestre Mandou", o ator e diretor espanhol, Pepe Nunez, radicado em Florianópolis, começa a nos deixar relaxados e confiantes pros exercícios que viriam a seguir. Na brincadeira, que ele rebatizou de "Jacques Mandou", quem errava os comandos levava "pauladas" de jornal, às vezes, podendo trocar a surra por um beijo contanto que a pessoa escolhida aceitasse, caso não, era pau do mesmo jeito.
Foi nesse clima de brincadeira e descontração que o diretor, ator e palhaço, chamado por nós apenas de Pepe, nos conduziu a uma oficina nesse domingo, dia 24 de Maio. Do seu jeito humilde, vestindo uma camiseta velha e furada, uma meia de cada par nos pés e sobrancelhas taturanas inesquecíveis, o palhaço ali era um homem que não precisava de um nariz vermelho para ser amado.
Nas brincadeiras acompanhadas de doces palavras, Pepe nos ensinava oq muitos ali já sabiam, mas que em sua voz se tornavam cíclicas, dignas de serem ouvidas por pelo menos um milhão de vezes. O Palhaço é um espelho - disse ele - Quando rimos não estamos fazendo mais do q rir de nós mesmos. O palhaço não se esconde, revela. Sua mascara [o nariz] serve apenas como um artifício de proteção, de fato, expor-se tanto requer certos cuiadados. Ser palhaço é nos achar enquanto verdade em qualquer ação. Como um ladrão que usa um capuz para esconder sua vergonha ou um cowboy que usa o chapéu para se sentir mais confiante, o palhaço usa o nariz para expor tudo o que é, deixando a preocupação de não ser aceito de lado, amando ser oq é e por isso, sendo amado. Afinal, quantos de nós nos preocupamos em brincar, falar algo, agir de certa forma e não ser aceito? O palhaço é o unico que está livre de preconceitos, que pode agir como lhe der na telha. O nariz é a menor máscara, mas nunca esconde - e humildemente retoma - talvez seja por ser a menor máscara, não sei.
O espetáculo dirigido por Pepe, De Malas Prontas, se apresenta hoje, dia 25 de Maio, as 20h, no Teatro Rondon Pacheco. A peça usa de técnicas da arte do clown sem que pra isso precise usar o nariz vermelho. Nem todos que usam um nariz são palhaços, muitos não usam e não sabem que são - diz Pepe ao citar o clown enquanto profissão. De malas Prontas é minha indicação, sem chances de frustrações. A entrada é franca e os ingressos serão distribuídos a partir das 12h. Vou buscar o meu.
O ofício do Clown/Palhaço reside na liberdade de permitir-se ser o que verdadeiramente se é, e de fazer os outros espelharem-se e rirem de si mesmos na confiança de estar rindo do Palhaço. E isso, requer uma grande coragem. É um exercício de generosidade e risco, às vezes difícil, penoso e doloroso, mas sempre libertador, pois, se provocar o riso é à base da profissão, ativar o pensamento é a ambição e o fim. (Pepe Nunez)
Por
Paulinha Tavares
domingo, 24 de maio de 2009
Sonho de uma noite de inverno
Freud e Jung.
Um sonho brusco e ávido de realidade
Um mar, um mar de vinho, um útero de vinho
Entrarei na água para lembrar-me o útero
- Quem me dera fosse um útero de vinho!
Iara, mãe das águas, divina e etérea
Questionou a Feiticeira, numa discussão puramente livre, no Tempo sagrado do há-de-haver
Na espetacular lógica mitológica o mar, agora, é vinho
- Agora sim, Humanos, nascerão embriagados, vale-me um ponto para a nova teoria!
Iara foi-se embora, esperando a nova teoria virar teorema
Quando, imediatamente, virou-se, viu Feiticeira dentro do mar e a açoitar a água
- Você deve observar a água e não entrar.
Chorando milhas de lágrimas que se entrelaçavam com o vinho
Feiticeira clamava mais ainda, queria alguns novos humanos
- Mas agora me sacrificarei, entrarei neste universo cheio de éticas e regras e verás que a bebida, se umbilical, faz com que liberem...tudo.
Deste entrelaçamento de lágrimas e vinho nascera o homem moderno
E a mãe das águas, agora, é a Feiticeira
Mãe das facetas humanas, no qual nada é perpétuo, tudo é inédito
- Ei de querer mais vinho e mais lágrimas.
Um sonho brusco e ávido de realidade
Um mar, um mar de vinho, um útero de vinho
Entrarei na água para lembrar-me o útero
- Quem me dera fosse um útero de vinho!
Iara, mãe das águas, divina e etérea
Questionou a Feiticeira, numa discussão puramente livre, no Tempo sagrado do há-de-haver
Na espetacular lógica mitológica o mar, agora, é vinho
- Agora sim, Humanos, nascerão embriagados, vale-me um ponto para a nova teoria!
Iara foi-se embora, esperando a nova teoria virar teorema
Quando, imediatamente, virou-se, viu Feiticeira dentro do mar e a açoitar a água
- Você deve observar a água e não entrar.
Chorando milhas de lágrimas que se entrelaçavam com o vinho
Feiticeira clamava mais ainda, queria alguns novos humanos
- Mas agora me sacrificarei, entrarei neste universo cheio de éticas e regras e verás que a bebida, se umbilical, faz com que liberem...tudo.
Deste entrelaçamento de lágrimas e vinho nascera o homem moderno
E a mãe das águas, agora, é a Feiticeira
Mãe das facetas humanas, no qual nada é perpétuo, tudo é inédito
- Ei de querer mais vinho e mais lágrimas.
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11:04
Sonho de uma noite de inverno
2009-05-24T11:04:00-03:00
Anna Clara
Anna Clara|
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Anna Clara
sábado, 23 de maio de 2009
Poder Além da Vida
Filme que compensa assistir, quem está com o fim de semana livre sem obrigações a cumprir que passe em uma locadora e assistam esse filme, uma tradução um pouco ruim do título original, Peaceful Warrior, Caminho do Guerreio Pacífico, o roteiro do filme foi retirado do livro que possui o mesmo nome. O filme mostra que o poder além da vida que todos nós temos é a força de vontade, o querer verdadeiro. Como um mestre já disse, quem fica no QUERER chega no PODER.
Por
Eduardo Janú
Atualize seu navegador
Manter o navegador atualizado é essencial para um bom uso da internet e essa campanha incentiva a todos atualizarem esse software tornando o acesso do usuário à rede mais seguro e a vida dos desenvolvedores mais fácil. Entre aqui e saiba se o seu navegador é ultrapassado ou não. Se for, no topo da página irá aparecer uma barrinha te alertando. Siga as instruções e atualize.Nas palavras da campanha, saiba a importância de manter o browser atualizado.
Versões antigas e desatualizadas de navegadores têm problemas de segurança e não acompanham os novos padrões de desenvolvimento para a Internet. O Atualize seu navegador faz parte de um movimento internacional para eliminar os navegadores obsoletos do mercado.
Navegadores antigos como o Internet Explorer 6 (lançado em 2001) não exibem sites dentro dos padrões web, são repletos de bugs, não oferecem as funcionalidades dos browsers atuais como navegação por abas ou gerenciador de downloads e estão submetidos a sérios problemas de segurança como vírus e malware.
Ainda comprometem a qualidade da exibição de sites e limitam a criação de desenvolvedores, que precisam perder tempo adaptando o site para rodar nesses navegadores obsoletos.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Nova plataforma de comentários
O Coletivo Idearium aderiu hoje a plataforma de comentários IntenseDebate. Agora temos uma ferramenta mais robusta e interativa. Recomendo a todos que visitam o blog com certa freqüência que criem um perfil no site IntenseDebate. É rápido, fácil e dessa forma os seus comentários serão acompanhados pela foto e link do seu perfil, sendo que lá você pode associar outras informações de várias redes sociais. A ferramenta é ótima e possui diversos recursos como receber as respostas dos seus comentários, seguir os seus amigos e ver os comentários deles, avaliar um comentário como relevante ou não, entre diversos outros recursos. Aproveite essa postagem para testar a nova plataforma. Deixe um comentário dizendo o que achou. E não se esqueça de se cadastrar no site. A mudança acontecerá apenas para as novas postagens e usuários não cadastrados também podem comentar, é claro.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
“Antropofagicamente” Poético
Sobre a palestra de Rubem Alves em Uberlândia - MG
NOS NÃO APRENDEMOS A ESCREVER COM REGRAS E UTILIZANDO UM PORTUGUÊS REBUSCADO E ESTREMAMENTE CORRETO, MAS SIM COM "CARNE" E "SANGUE"!
Mais considerações AQUI!
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Cena erótica
Ambientes envoltos de barulhos explicáveis. Lugares e simpatias que condenam a lógica de pensar racionalmente; coloca-nos a pensar indiretamente - do lado oposto: pra dentro. Em meio aos movimentos bruscos que tiram nossa concentração, como uma reunião de pessoas, são propícios para distinguir baralhos explicáveis. Distinguir da opinião-comum nossa opinião.
Um simples barulho da sola do sapato no chão, com o detalhe de ter pequenas quantidades de água nessa sola e fazer um barulho espumante. Percebo bem que o indivíduo que usa este sapato está irritado - irritado, pois o sapato está com um barulho terrível no qual chama atenção dos outros indivíduos. Reparei, reparei, reparei bem no barulho. Apesar de chato, era um delícia ouvi-lo. Ele fazia um barulho saco-de-bolhas-atritante com o concreto invaginado por desgaste. Depois, o corpo que tinha este sapato, entrou em um banheiro com um concreto liso - barulho saco-de-bolhas-liso. Fiquei ouvindo detalhadamente o barulho. Foi indo, foi indo...foi indo.. foi indo... até ao banheiro. Depois, o barulho foi diminuindo gradualmente, como uma luz sendo diminuída para dar um ar afrodisíaco a um ambiente. Ficou leve - liso, lisinho, mas o barulho espumante ainda continuava. Só não haviam invaginações mais.
Parei mais um pouco e tentei ouvir um barulho diferente ou igual na movimentação das pessoas - que não era aquele sapato espumante-atritante-liso. Não achei, em hipótese alguma, outro barulho igual ou diferente. Será que me apaixonei por aquele barulho? Aquele barulho era reconfortante. A feição do sujeito era reconfortante - confortou minha visão de barulhos de sapatos. Ele não queria atenção. Mas, pediria perdão no ato... olhei com os ouvidos. Pecado meu ter dado atenção a quem não queria. Mas, por si só, ele não viu que eu estava dando-lhe atenção. Mas eu estava. Atentando-me ao único e específico barulho. Pois que, aquele corpo estava atormentando por causa do barulho espumante que fazia as pessoas o olharem. Não?
Eu dei atenção ao barulho - e amei. Escolhi o sapato barulhento - e amei, de novo. Depois, subitamente e sem querer, analisei-o - e amei, pela terceira vez. Ele foi embora pois procurei demais e me esqueci que ele apenas estava no concreto liso - e amei, pela quarta vez; porém, invaginei o som barulhento do sapato aos meus outros sons inexplicáveis, e achei este... não sabia o que ou a quem eu amava. Invaginações acontecem, no meu caso, por descuido.
Sinceramente, eu não cuido bem das coisas - e estou eu aqui outra vez. Coisas tão racionais se transformam em um apocalipse constante, barulhento - difícil. Mas amei - amei, amei, amei muito. Amei quatro vezes seguidas; três delas amei com o barulho, junto, conectado entre mim; uma dela amei sozinha - desesperei. O último estágio que amei, permanece, até eu encontrar um chinelo, scarpin ou bota para chamar minha atenção de novo.
Amei sem procurar, apenas ouvi o sapato.
terça-feira, 19 de maio de 2009
PlayingForChange.com
Uma breve explicação.
Alguns rapazes decidiram sair pelo mundo, pegar músicos nos metrôs, nos centros, bares e por para tocar a mesma música.
O resultado você confere aqui.
Minha opinião?
Um salve para mais iniciativas como esta.
Fiquem com o último vídeo produzido...
Alguns rapazes decidiram sair pelo mundo, pegar músicos nos metrôs, nos centros, bares e por para tocar a mesma música.
O resultado você confere aqui.
Minha opinião?
Um salve para mais iniciativas como esta.
Fiquem com o último vídeo produzido...
domingo, 17 de maio de 2009
Realmente HUMANOS
Andar de bice tem sido algo muito gratificante, a cada dia me relaciono melhor com a magrela. Ela tem me proporcionado aventuras magníficas.Quando se está em cima dela as reflexões apenas fluem. É um verdadeiro teste de disposição disciplina, superação e esforço, uma constante luta com o maior e mais astuto guerreiro que um dia poderemos combater, nós mesmo!
Essa batalha interna me impulsiona a ser melhor, mais consciente com o meio em que vivo, mostra-me o quanto efêmera é essa luta diária e que as coisas mais importantes são as mais simples.
Percebam que ter essas experiências pedalando é muito subjetivo, assim como posso ter em cima do pedal, outros podem ter jogando futebol, soltando pipa, em casa lendo um livro, cozinhando, não interessa o como. O importante é que nos esforcemos para sermos melhores e realmente façamos por merecer esse título que nos foi dado, o de sermos realmente HUMANOS!
Fico por aqui...
Abraços
Música para companhar a leitura.
sábado, 16 de maio de 2009
mãos de tesoura

Ilustração de Sérgio Evangelista, do CultBlog
Seu Nelson, o barbeiro mais famoso e antigo de nossa cidade, baiano de nascimento e mineiro por opção e por mérito, na juventude de seus oitenta e quase todos anos, foi tombado como patrimônio histórico e cultural de Uberlândia. Afinal, são mais de setenta anos dedicados à arte das tesouras e navalhas. E quando digo arte das tesouras e navalhas, não me refiro àquela veadagem toda que os cabelereiros acham o máximo. Seu Nelson, apesar de ter todas as edições da revista Caras em seu salão, tem o saco roxo e honra seus culhões. Por isso, não peça a ele um corte moderninho e descolado, por favor. Seu Nelson é um barbeiro de responsa, da velha guarda, e sabe o que faz - desde que seja um corte de macho. Com a tesoura em mãos, seria capaz de reger a Filarmônica de Berlim com maestria, tamanho é seu domínio sob suas ferramentas de trabalho. Seu Nelson, sempre sorrindo para a vida, é a tranquilidade em pessoa - talvez por ser baiano, quem sabe. Apesar de seus oitenta e muitos anos, trabalha todos os dias, de segunda a segunda. Para ele, sábado e domingo são dias úteis - até mais úteis que os outros cinco. É nos finais de semana que a mais antiga geração da cidade se reune em seu salão para colocar a prosa em dia. O assunto, salvas algumas poucas exceções, é quase sempre morte ou doença, por causa da idade avançada da turma - um morreu, o outro descobriu um câncer na próstata etc. Sobre tais temas, falam com a naturalidade de quem já aceitou a proximidade do fim. Sabem que a morte caminha junto deles, mas não se importam com isso. Seu Nelson, malandro que é, já resolveu o problema. Em troca de sossego, apara semanalmente as madeixas da Morte, que leva seus amigos um a um. E assim continua fazendo aquilo que faz de melhor: cortar cabelos e fazer barbas - hoje, amanhã e até o último dos dias. Graças à Morte.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
A crônica
A crônica é um texto, originalmente do universo dos relatos históricos, que se viu ao longo dos tempos, em especial no século XX, no Brasil, mais confortável ou, até mesmo, mais afinada com o espaço jornalístico. Apesar de confundir-se com a linguagem jornalística hoje em dia, por vezes, aproxima-se da Literatura, mais em alguns autores, menos em outros, já que as liberdades lingüísticas permitidas aos cronistas, o flerte com o humor, as analogias freqüentes e inusitadas, a tendência a conter fortes influências narrativas, a invenção na linguagem e a estrutura muito flexível tornam essa modalidade textual uma forma literária em muitos casos difícil de classificar e delimitar, mas ainda uma ponte muito oportuna entre os jornais e a arte.
Isso se explica também por causa da opção de não se resumir o universo da crônica a relatos de cunho exclusivamente jornalístico e temporal, ou seja, focados no quem, quando, onde e por que; ao contrário, o cronista prefere os debates acerca das artes; da vida aparentemente requintada dos ricos; da peleja da vida simples dos pobres; dos triunfos e dos fracassos do esporte, em especial, do futebol; do deboche e do descaramento da vida política; dos acidentes e desgraças naturais ou não; e, obviamente, dos crimes e das ações que fazem do homem um ser tão paradoxal e fascinantemente obscuro; além disso, não escapam os pequenos eventos rotineiros e, para muitos, imperceptíveis, enfim, todos são assuntos para esse tipo de texto.
Associado a isso, pode-se dizer que o cronista tem uma afinidade incurável pelo que é contemporâneo, cotidiano e incomum, sem se esquecer do passado e do eterno, elementos fundamentais para se entender as mudanças pelas quais passa o homem, a humanidade e a sociedade. Aos cronistas cabe também dividir com os leitores dúvidas, angústias, felicidades, esperanças, frustrações, etc. Em função dessas responsabilidades, muitos escritores fazem da polêmica e do politicamente incorreto a lupa pela qual podem analisar inúmeros campos da atuação humana.
Outra característica típica dessa modalidade textual é a agilidade, bem ao gosto do “rápido” século XX e dos leitores de jornais e revistas cada vez mais ansiosos por informar-se e formar-se de maneira breve, mas com substância, o que é um desafio, talvez apenas superado por cronistas que fazem da concisão um trunfo para conferir potência e relevância aos seus discursos.
Logo, a crônica é um tipo de texto moldado pelo “breve século XX” e responsável por, de forma sutil, ainda que marcante, moldá-lo. Pode-se dizer talvez que as revoluções científicas, comportamentais, sociais e humanas vividas no século passado, de certo modo, exigiram formas de conhecer capazes de acompanhar e historiar essas vertiginosas mudanças, além de homens de consciência apurada e sensível para entendê-las, tais como Nelson Rodrigues, Fernando Sabino, Carlos Mendes Campos, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, João do Rio, Rubem Braga, Carlos Heitor Cony, Zuenir Ventura, entre, felizmente, tantos outros.
Segue um exemplo do mestre maior da crônica brasileira:
O bandeirinha artilheiro
Antigamente, o bandeirinha era um superfósforo apagado. Funcionava como uma espécie de gandula lateral. E era patético, era comovente, vê-lo correr atrás de uma bola e devolvê-la. Esse marmanjo, esse barbado tinha uma grandeza na humildade de suas funções. Com o profissionalismo, o bandeirinha passou a ter uma súbita importância. Na pior das hipóteses, era um gandula remunerado. Continuava correndo atrás da bola, mas estava ganhando 25 mil-réis por jogo.
Passa-se o tempo e, de uma maneira insidiosa, macia, o bandeirinha deixou de ser aquele são Francisco de alpercatas. Tinha voz ativa. Já não era recrutado entre os pés-rapados, os borra-botas do esporte. Vejamos: quem é o bandeirinha em nossos dias? Juízes de primeira categoria e, numa palavra, sujeitos qualificados, que entendem de futebol, de regra, que dão palpites a torto e a direito. Mas nunca, em toda a história do futebol carioca, brasileiro e mundial, houve um caso como o do Fla-Flu de anteontem.
Amigos, o cronista esportivo é o cidadão mais convencional do mundo. Quando um time vence outro, o cronista repete, textualmente, o que vem dizendo desde a Guerra do Paraguai: "Vitória merecida". Nunca lhe ocorreu a hipótese, ainda que tênue, ainda que vaga, de uma vitória imerecida. Não. E mesmo quando o derrotado apresenta muito mais jogo e foi traído por um golpe de azar, o comentarista de futebol fala na "maior objetividade do vencedor". Ainda agora, no último Fla-Flu, o jornalista especializado finge não perceber a superioridade tão nítida do Tricolor.
Por que venceu o Flamengo e por que perdeu o Fluminense? Para a imprensa, o Rubro-negro foi mais objetivo e dominou no segundo tempo. É, como se vê, a imagem desfigurada do clássico. Até uma zebra no Jardim Zoológico perceberia a influência capital que teve, no resultado, um dos bandeirinhas. Mas a crônica não toma conhecimento deste fato sem precedentes ou, melhor, não atribui a este fato inédito uma importância fundamental.
Amigos, pela primeira vez, em toda a minha experiência futebolística e, mais do que isso, em toda a minha experiência terrena, eu vejo um bandeirinha artilheiro! Pois foi o que aconteceu no Fla-Flu. Um bandeirinha decidiu o jogo e com que tranqüila e arrepiante desenvoltura! Segundo o meu colega Nei Bianchi, o simpático auxiliar de juiz tem o apelido de "Caixa Econômica". Ele é "Caixa Econômica", como poderia ser "Banco de Crédito Real de Minas Gerais", "Banco Boavista S.A.", "Prolar".
Muita gente não foi ao campo e não pode formar uma idéia, mesmo aproximada, do que aconteceu. O fato é que, em dado momento, a bola chega ao bandeirinha e do bandeirinha parte para um jogador do Flamengo. O gol resultou, só e só, dessa intervenção que eu chamaria de sobrenatural. Toda a imprensa, com uma erudição marota, diz que, como o juiz, o bandeirinha é ponto morto. Ora, meus amigos, o senso comum é o que há de mais incomum. Porque se o árbitro da peleja possuísse um pingo de senso comum, teria achado o fato estranhíssimo. Das duas, uma: ou o bandeirinha estava fora do campo e a bola saiu, ou estava dentro do campo e, nesse caso, vamos perguntar: Por quê, senhores, Por quê?
Amigos, vamos falar de coração para coração, de consciência para consciência. Os jornais passam por alto sobre o episódio, citam o bandeirinha como um detalhe. Não entra na cabeça dos meus confrades que o bandeirinha não está ali para passear dentro do campo. O juiz é ponto morto porque está obrigado, funcionalmente, a permanecer no coração mesmo do jogo. Mas o bandeirinha que, sem quê, nem para quê, entra em campo e serve de tabela, está praticando uma óbvia, uma clara, uma escandalosa ilegalidade. Escrevem os meus confrades que a lei não menciona a hipótese. E daí? Não menciona, porque a coisa é evidente por si mesma.
Na ocasião, o Flamengo estava vencendo por 1x0, graças a um tiro de Henrique, desferido com incrível felicidade. Mas o Fluminense, muito bem armado, seguro de si e do jogo, perseguia o empate. E, súbito, vem o magistralíssimo passe do bandeirinha, passe tão exato, preciso, perfeito, que faria Didi, ou Zizinho, ou Domingos da Guia estourar de inveja. Enfim, uma coisa é certa: se as coisas continuam assim, hei de ver, em futuro próximo, bandeirinhas cobrarem pênaltis e correrem, com Pelé, no páreo dos artilheiros. (Nelson Rodrigues, 1959)
Isso se explica também por causa da opção de não se resumir o universo da crônica a relatos de cunho exclusivamente jornalístico e temporal, ou seja, focados no quem, quando, onde e por que; ao contrário, o cronista prefere os debates acerca das artes; da vida aparentemente requintada dos ricos; da peleja da vida simples dos pobres; dos triunfos e dos fracassos do esporte, em especial, do futebol; do deboche e do descaramento da vida política; dos acidentes e desgraças naturais ou não; e, obviamente, dos crimes e das ações que fazem do homem um ser tão paradoxal e fascinantemente obscuro; além disso, não escapam os pequenos eventos rotineiros e, para muitos, imperceptíveis, enfim, todos são assuntos para esse tipo de texto.
Associado a isso, pode-se dizer que o cronista tem uma afinidade incurável pelo que é contemporâneo, cotidiano e incomum, sem se esquecer do passado e do eterno, elementos fundamentais para se entender as mudanças pelas quais passa o homem, a humanidade e a sociedade. Aos cronistas cabe também dividir com os leitores dúvidas, angústias, felicidades, esperanças, frustrações, etc. Em função dessas responsabilidades, muitos escritores fazem da polêmica e do politicamente incorreto a lupa pela qual podem analisar inúmeros campos da atuação humana.
Outra característica típica dessa modalidade textual é a agilidade, bem ao gosto do “rápido” século XX e dos leitores de jornais e revistas cada vez mais ansiosos por informar-se e formar-se de maneira breve, mas com substância, o que é um desafio, talvez apenas superado por cronistas que fazem da concisão um trunfo para conferir potência e relevância aos seus discursos.
Logo, a crônica é um tipo de texto moldado pelo “breve século XX” e responsável por, de forma sutil, ainda que marcante, moldá-lo. Pode-se dizer talvez que as revoluções científicas, comportamentais, sociais e humanas vividas no século passado, de certo modo, exigiram formas de conhecer capazes de acompanhar e historiar essas vertiginosas mudanças, além de homens de consciência apurada e sensível para entendê-las, tais como Nelson Rodrigues, Fernando Sabino, Carlos Mendes Campos, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, João do Rio, Rubem Braga, Carlos Heitor Cony, Zuenir Ventura, entre, felizmente, tantos outros.
Segue um exemplo do mestre maior da crônica brasileira:
O bandeirinha artilheiro
Antigamente, o bandeirinha era um superfósforo apagado. Funcionava como uma espécie de gandula lateral. E era patético, era comovente, vê-lo correr atrás de uma bola e devolvê-la. Esse marmanjo, esse barbado tinha uma grandeza na humildade de suas funções. Com o profissionalismo, o bandeirinha passou a ter uma súbita importância. Na pior das hipóteses, era um gandula remunerado. Continuava correndo atrás da bola, mas estava ganhando 25 mil-réis por jogo.
Passa-se o tempo e, de uma maneira insidiosa, macia, o bandeirinha deixou de ser aquele são Francisco de alpercatas. Tinha voz ativa. Já não era recrutado entre os pés-rapados, os borra-botas do esporte. Vejamos: quem é o bandeirinha em nossos dias? Juízes de primeira categoria e, numa palavra, sujeitos qualificados, que entendem de futebol, de regra, que dão palpites a torto e a direito. Mas nunca, em toda a história do futebol carioca, brasileiro e mundial, houve um caso como o do Fla-Flu de anteontem.
Amigos, o cronista esportivo é o cidadão mais convencional do mundo. Quando um time vence outro, o cronista repete, textualmente, o que vem dizendo desde a Guerra do Paraguai: "Vitória merecida". Nunca lhe ocorreu a hipótese, ainda que tênue, ainda que vaga, de uma vitória imerecida. Não. E mesmo quando o derrotado apresenta muito mais jogo e foi traído por um golpe de azar, o comentarista de futebol fala na "maior objetividade do vencedor". Ainda agora, no último Fla-Flu, o jornalista especializado finge não perceber a superioridade tão nítida do Tricolor.
Por que venceu o Flamengo e por que perdeu o Fluminense? Para a imprensa, o Rubro-negro foi mais objetivo e dominou no segundo tempo. É, como se vê, a imagem desfigurada do clássico. Até uma zebra no Jardim Zoológico perceberia a influência capital que teve, no resultado, um dos bandeirinhas. Mas a crônica não toma conhecimento deste fato sem precedentes ou, melhor, não atribui a este fato inédito uma importância fundamental.
Amigos, pela primeira vez, em toda a minha experiência futebolística e, mais do que isso, em toda a minha experiência terrena, eu vejo um bandeirinha artilheiro! Pois foi o que aconteceu no Fla-Flu. Um bandeirinha decidiu o jogo e com que tranqüila e arrepiante desenvoltura! Segundo o meu colega Nei Bianchi, o simpático auxiliar de juiz tem o apelido de "Caixa Econômica". Ele é "Caixa Econômica", como poderia ser "Banco de Crédito Real de Minas Gerais", "Banco Boavista S.A.", "Prolar".
Muita gente não foi ao campo e não pode formar uma idéia, mesmo aproximada, do que aconteceu. O fato é que, em dado momento, a bola chega ao bandeirinha e do bandeirinha parte para um jogador do Flamengo. O gol resultou, só e só, dessa intervenção que eu chamaria de sobrenatural. Toda a imprensa, com uma erudição marota, diz que, como o juiz, o bandeirinha é ponto morto. Ora, meus amigos, o senso comum é o que há de mais incomum. Porque se o árbitro da peleja possuísse um pingo de senso comum, teria achado o fato estranhíssimo. Das duas, uma: ou o bandeirinha estava fora do campo e a bola saiu, ou estava dentro do campo e, nesse caso, vamos perguntar: Por quê, senhores, Por quê?
Amigos, vamos falar de coração para coração, de consciência para consciência. Os jornais passam por alto sobre o episódio, citam o bandeirinha como um detalhe. Não entra na cabeça dos meus confrades que o bandeirinha não está ali para passear dentro do campo. O juiz é ponto morto porque está obrigado, funcionalmente, a permanecer no coração mesmo do jogo. Mas o bandeirinha que, sem quê, nem para quê, entra em campo e serve de tabela, está praticando uma óbvia, uma clara, uma escandalosa ilegalidade. Escrevem os meus confrades que a lei não menciona a hipótese. E daí? Não menciona, porque a coisa é evidente por si mesma.
Na ocasião, o Flamengo estava vencendo por 1x0, graças a um tiro de Henrique, desferido com incrível felicidade. Mas o Fluminense, muito bem armado, seguro de si e do jogo, perseguia o empate. E, súbito, vem o magistralíssimo passe do bandeirinha, passe tão exato, preciso, perfeito, que faria Didi, ou Zizinho, ou Domingos da Guia estourar de inveja. Enfim, uma coisa é certa: se as coisas continuam assim, hei de ver, em futuro próximo, bandeirinhas cobrarem pênaltis e correrem, com Pelé, no páreo dos artilheiros. (Nelson Rodrigues, 1959)
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quinta-feira, 14 de maio de 2009
Praxis....
O que é o conhecimento científico, senão uma forma metódica e sistemática de chegar a resultados que, teoricamente, são de utilidade pública? Do que vale todo esse conhecimento se o mesmo não for aplicado para uma evolução conjunta?
Tomemos o exemplo do Japão, que quando precisa desenvolver alguma coisa que só é possível existir na cabeça dos cientistas, como um “chip”, por exemplo. Faz competições entre universidades e premia a vencedora com altas gratificações que chegam a valores de $1.000.000,00 para a instituição que conseguir desenvolver a tecnologia necessária e acessível, o que é o mais importante.
Segundo estudos realizados por [1], o Brasil é o terceiro país do mundo em produção de energia a partir de Usinas Hidrelétricas, ficando atrás somente do Canadá e EUA. Esse empreendimento energético gera impactos ambientais irreversíveis. Para citar apenas alguns: altera o curso e o nível dos rios, altera a fauna e flora da região, principalmente a fauna aquática (diversas espécies de peixes já estão em extinção), provoca alagamento de áreas vizinhas, etc. Sem contar que Hidrelétricas emitem mais Gases de Efeito Estufa (GEE) do que as Termelétricas. Devido à presença de matéria orgânica no fundo dos lagos, oriunda do não desmatamento das florestas existentes quando foi alagado, favorecendo a presença de microrganismos anaeróbicos, que tem como produto de sua síntese energética CH4 e CO2. Dois dos GEE mais importantes.
Uma das formas alternativa de se produzir energia eficiente e sem ter todos esses efeitos colaterais é utilizando a energia solar. A luz solar proporciona ao Brasil, em cada dois dias, energia igual a todas as reservas remanescentes de combustíveis fósseis [2]. Chegamos aonde quero refletir, quando introduzi a idéia dos japoneses. Um grande empecilho para se utilizar placas fotovoltaicas como fonte de energia elétrica, sendo que ela produz até 1.000 Watts de energia por metro quadrado, é a questão financeira e técnica, pois essa energia se apresenta pra nós de forma difusa e para ela ser transformada em uma eficiente fonte energética, devemos captá-la e concentrá-la. O que custa caro!
Estão se perguntando pra que esse Bernardo está escrevendo isso?
O meu objetivo é mostrar que se o governo investir em pesquisas, premiando e reconhecendo as instituições, duvido que não saia um projeto de placas fotovoltaicas mais baratas. Olha o nordeste aí minha gente! Sol de Janeiro à Janeiro!! Pois se cobrirmos Itaipu com elas fornecemos energia para toda a América Latina.
Dizem que o hidrogênio é o combustível do futuro, porém a energia gasta para liberá-lo, é maior do que a que ele libera. Segundo [3], já existem células solares que imitam o processo da fotossíntese, e ao invés de produzirem carboidratos, como nos vegetais, essa “fotossíntese” está sendo utilizada para dissociar a molécula de água em Hidrogênio e Oxigênio.
Para quem não quiser placas fotoelétricas e hidrogênio, existe uma outra forma de se aproveitar a energia solar através de espelhos que direcionam o raios para uma torre que capta o calor...mas os EUA nunca deixarão nos aproveitarmos disso né??...Ou seria uma questão de atitude do governo brasileiro??
Ou seja, a pesquisa é a chave para o progresso, porém se não tiver extensão essa porta nunca se abrirá.
Ahhh já ia me esquecendo, agora recentemente descobriram um tal de pré-sal, que dizem que tem MUITO petróleo. Agora é que não vão se preocupar com o planeta mesmo...rsss... Imaginem uma garrafa Pet cheia d’água, se retirarem essa água a garrafa amolece, pode ser o que acontecerá com o Planeta, o que serão esses movimentos cada vez mais constantes de placas tectônicas, os Árabes estão cada vez mais retirando essa “água da garrafa”...daqui a pouco os sheiks seremos nós, RICOS com o Pré-sal...!!
Referências:
[1] KEMENES A.; FORSBERG B. R.; & MELACK J. M. 2007. Methane release below a tropical hydroelectric dam. Geophisical Research Letters. Vol. 34.
[2] MORO, T. S.; & ALFARO A.T.S. 2008. Apresentação do projeto Aquecedor Solar – integrando desenvolvimento sustentável e qualidade de vida. 4º Encontro de Engenharia e Tecnologia dos Campo Gerais.
[3] RICHTER C.; JAYE C.; PANAITESCU E.; FISCHER D. A.; LEWIS L. H.; WILLEY R. J.; & MENON L. 2009. Effect of potassium adsorption on the photochemical properties of titania nanotube arrays. Journal of Materials Chemistry. Vol. 17.
Tomemos o exemplo do Japão, que quando precisa desenvolver alguma coisa que só é possível existir na cabeça dos cientistas, como um “chip”, por exemplo. Faz competições entre universidades e premia a vencedora com altas gratificações que chegam a valores de $1.000.000,00 para a instituição que conseguir desenvolver a tecnologia necessária e acessível, o que é o mais importante.
Segundo estudos realizados por [1], o Brasil é o terceiro país do mundo em produção de energia a partir de Usinas Hidrelétricas, ficando atrás somente do Canadá e EUA. Esse empreendimento energético gera impactos ambientais irreversíveis. Para citar apenas alguns: altera o curso e o nível dos rios, altera a fauna e flora da região, principalmente a fauna aquática (diversas espécies de peixes já estão em extinção), provoca alagamento de áreas vizinhas, etc. Sem contar que Hidrelétricas emitem mais Gases de Efeito Estufa (GEE) do que as Termelétricas. Devido à presença de matéria orgânica no fundo dos lagos, oriunda do não desmatamento das florestas existentes quando foi alagado, favorecendo a presença de microrganismos anaeróbicos, que tem como produto de sua síntese energética CH4 e CO2. Dois dos GEE mais importantes.
Uma das formas alternativa de se produzir energia eficiente e sem ter todos esses efeitos colaterais é utilizando a energia solar. A luz solar proporciona ao Brasil, em cada dois dias, energia igual a todas as reservas remanescentes de combustíveis fósseis [2]. Chegamos aonde quero refletir, quando introduzi a idéia dos japoneses. Um grande empecilho para se utilizar placas fotovoltaicas como fonte de energia elétrica, sendo que ela produz até 1.000 Watts de energia por metro quadrado, é a questão financeira e técnica, pois essa energia se apresenta pra nós de forma difusa e para ela ser transformada em uma eficiente fonte energética, devemos captá-la e concentrá-la. O que custa caro!
Estão se perguntando pra que esse Bernardo está escrevendo isso?
O meu objetivo é mostrar que se o governo investir em pesquisas, premiando e reconhecendo as instituições, duvido que não saia um projeto de placas fotovoltaicas mais baratas. Olha o nordeste aí minha gente! Sol de Janeiro à Janeiro!! Pois se cobrirmos Itaipu com elas fornecemos energia para toda a América Latina.
Dizem que o hidrogênio é o combustível do futuro, porém a energia gasta para liberá-lo, é maior do que a que ele libera. Segundo [3], já existem células solares que imitam o processo da fotossíntese, e ao invés de produzirem carboidratos, como nos vegetais, essa “fotossíntese” está sendo utilizada para dissociar a molécula de água em Hidrogênio e Oxigênio.
Para quem não quiser placas fotoelétricas e hidrogênio, existe uma outra forma de se aproveitar a energia solar através de espelhos que direcionam o raios para uma torre que capta o calor...mas os EUA nunca deixarão nos aproveitarmos disso né??...Ou seria uma questão de atitude do governo brasileiro??
Ou seja, a pesquisa é a chave para o progresso, porém se não tiver extensão essa porta nunca se abrirá.
Ahhh já ia me esquecendo, agora recentemente descobriram um tal de pré-sal, que dizem que tem MUITO petróleo. Agora é que não vão se preocupar com o planeta mesmo...rsss... Imaginem uma garrafa Pet cheia d’água, se retirarem essa água a garrafa amolece, pode ser o que acontecerá com o Planeta, o que serão esses movimentos cada vez mais constantes de placas tectônicas, os Árabes estão cada vez mais retirando essa “água da garrafa”...daqui a pouco os sheiks seremos nós, RICOS com o Pré-sal...!!
Referências:
[1] KEMENES A.; FORSBERG B. R.; & MELACK J. M. 2007. Methane release below a tropical hydroelectric dam. Geophisical Research Letters. Vol. 34.
[2] MORO, T. S.; & ALFARO A.T.S. 2008. Apresentação do projeto Aquecedor Solar – integrando desenvolvimento sustentável e qualidade de vida. 4º Encontro de Engenharia e Tecnologia dos Campo Gerais.
[3] RICHTER C.; JAYE C.; PANAITESCU E.; FISCHER D. A.; LEWIS L. H.; WILLEY R. J.; & MENON L. 2009. Effect of potassium adsorption on the photochemical properties of titania nanotube arrays. Journal of Materials Chemistry. Vol. 17.
Bernardo Cândido
Sou um entusiasta do Ser Humano e estudioso de como esse se relaciona com ele, com os outros e com o mundo. Tenho comigo o crivo da lógica e a peneira da percepção. Sem perder o contato com o que nos cerca, procuro da forma como posso, mudar a realidade que me cerca e aos poucos mudando, juntos, esse País maravilhoso, que tem tantas corrupções, mas tem um povo que tem a alegria no coração. Se mudar alguma coisa, sou estudante de Agronomia, na Universidade Federal de Lavras... e um eterno FLAMENGUISTA...Clique aqui para ver todas as postagens deste autor.
Aos que chegaram de para quedas na terra...

Quem caiu de para quedas na terra?
Os primeiros seres ou consequências do Big Bang?
As duas opções vieram do nada, isso é inevitável
Porque acreditar em criação através de Deus é acreditar no nada,
É valorizar o “sentir”, a emoção e a fé.
Acreditar na evolução é acreditar no nada,
É valorizar a razão, o concreto, ignorar o sentir pensando que às vezes ele pode ser falho.
Até então aproximadamente 6,5 bilhões não conseguem afirmar ou as pessoas não conseguem ainda desvendar.
Mas a terra é um mistério que eu ainda não quero desvendar.
Eu prefiro me descobrir, porque eu ainda não me achei.
O mundo é mais do que um ponto no nada como origem.
Mas existem teorias para todas as cabeças, se não seria ditadura,
Compreensão, cada um fica com a que te atenda.
Eu acredito na perfeição da natureza, no dia e na noite, no tempo, no carinho materno, no amor, na paz, no ar.
O ser humano só descobre, não inventa nada.
Falo profecias repetidas, mas que ainda não foram gravadas na mente.
A paz, o amor ainda irá dominar o mundo e a ciência dos homens vai querer explicar, o que de origem é o agora, que os homens estudam como se fossemos bichos selvagens sem coração.
Por isso ainda a tanto conteúdo dentro do peito, e nós ainda não conhecemos, porque ainda temos vícios, raiva, ciúme, inveja, orgulho, ciúme... mas tem gente que tem dinheiro e sabe fazer uma equação e entra em depressão.
Me explica, de que adianta?
Mas está bom, o caminho pra chegar a alguma conclusão é você, não é os livros, conhecer de si é conhecer a sua casa, sua origem.
Não adianta a bíblia, porque se Jesus é tão bom e quisesse escrever algo, ele teria escrito, mas ele falou: E como eu sei?
Eu sinto e valorizo a emoção, acredito na história, mas vou pelo básico,
Porque o que a gente acha simples, é valioso. Esse tão nobre sentimento, o amor. É tão simples, não precisa ser cristão, ateu, judeu...
É só se enxergar como grãos e entrar em uma peneira.
Já dizia Socrates: "conheça-te a ti mesmo!"
Talvez assim você possa saber o que passava na cabeça do velhinho.
Jesus disse: “conheça a verdade e ela te libertará”
O que é a verdade? A verdade é o que está dentro de você.
Platão disse: "conhecer é recordar a verdade que já existe em nós".
Mais uma vez eu digo:
Antes de colonizar o universo, coloniza o coração.
Eu escrevo para registro da mente, fique a vontade em me criticar,
Foi com o meu senso crítico que tive essas ideias.
A música livre de Hermeto Pascoal
Parabéns ao músico pela contribuição para a construção de uma sólida cultura livre e compartilhada. A previsão é que seu trabalho seja disponibilizado também via download gratuito em seu site oficial.
Hermeto abre a mão de suas licenças com os seguintes dizeres:
Eu Hermeto Pascoal declaro que a partir desta data libero, para os músicos do Brasil e do mundo, as gravações em CD de todas as minhas músicas que constam na discografia deste site. Aproveitem bastante.E faz isso através de uma carta inusitada. Ninguém mais propício a tomar essa atitude do que este grande compositor que já lançou um álbum intitulado A Música Livre de Hermeto Pascoal e que prega a liberdade musical, filosofia essa totalmente perceptível em seus shows onde tudo pode virar música. Agradeço ao projeto Arte na Praça por ter trazido esse mestre a Uberlândia alguns anos atrás. Esse show não dá pra ser esquecido.
(foto de flykr sob uma licença Creative Commons)
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Adele
Não sei muita informação sobre a dona da voz, somente o nome - Adele - essa garota me hipnotizou durante 4' 22", de aparência normal e com uma fluidez vocálica incrível me provocou uma espécie de transe.
Por este motivo voz apresento...
Por este motivo voz apresento...
Pra onde foi o olho da rua
Este produto, inspirado nas oscilações da Bolsa de Valores, é de uma inteligência ímpar, nos perdoem a modéstia. O mercado de violência da cidade, também sofre variações semanais, diárias e, às vezes, até horárias. Portanto, nada mais natural, do que fazer com que os muros de nossas mansões variem de altura conforme os índices de violência registrados de hora em hora num pequeno medidor que também está sendo desenvolvido por nossa empresa. E o melhor de tudo: o muro é de graça!!! Só cobramos o aparelho de controle-remoto, que nem é muito caro, custa bem menos que uma Maseratti usada.
Esse é um texto humorístico tirado do site do arquiteto contemporâneo Isay Weinfeld. Apesar do tom de brincadeira, este produto não é tão ilógico assim. Trocaram-se os portões de gradil por altos muros de alvenaria que, não bastassem a altura, ainda contam com uma cerca elétrica no final dos mais de 2m de parede. Afinal, onde a violência está? Um alto muro na fachada de nossas casas nos protege de ladrões, assassinos, psicopatas ou nos protege do olhar alheio? Um resguardo da nossa individualidade que antes as grades da vovó deixava exposta. As ruas perderam seus olhos, está ficando cega, não há quem olhe pelas ruas, pro que se passa nas ruas, não há quem guarde, não há como guardar. Já dizia a jornalista Jane Jacobs em seu famoso livro "Morte e Vida das Grandes Cidades": A ruas precisam de olhos.
Eu digo: Os olhos precisam das ruas.

Aqui, Jazz
Era um bêbado desses comuns, que parecem parte da nossa família que dorme pelos alpendres e calçadas de nossas casas. Num tempo que o gin apagou, era um grande trompetista. Caiu em desgraça na ocasião em que foi a um dentista e se apaixonou por ele. Justo quando ele arrancava o seu siso. Como naquele tempo, esse era “o amor que não ousa dizer o nome”, como bem disse Wilde. Ele foi seguidamente ao dentista, que arrancou-lhe todos os dentes, por respeito a uma desculpa muito bem engendrada, sem, contudo, perder algumas desconfianças.
Quando não lhe restavam mais dentes e seu trompete era bailarina bêbada em boca movediça. Pulou, num salto solo, da cadeira de prazeres daquele consultório quase alcova. Sua queda tinha como alvo o motor que dava força aos instrumentos do homem. Encontrou seu ocaso. Estava a procura de dentes.
Estéfani Martins, ao som do piano hermético de Cecil Taylor
Quando não lhe restavam mais dentes e seu trompete era bailarina bêbada em boca movediça. Pulou, num salto solo, da cadeira de prazeres daquele consultório quase alcova. Sua queda tinha como alvo o motor que dava força aos instrumentos do homem. Encontrou seu ocaso. Estava a procura de dentes.
Estéfani Martins, ao som do piano hermético de Cecil Taylor
terça-feira, 12 de maio de 2009
sebo nas canelas
Para bom entendedor, meia metáfora basta.
Criado pela Curió, minha agência experimental na faculdade, o filme está concorrendo ao Prêmio Tubal Siqueira na categoria Estudante.Créditos para Brunno Lacerda, Frederico Oliva, Julise Ferreira (a árvore), Maykon Oliveira e Rodrigo Abreu, que suaram a camisa para produzir esta pérola.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Here's the music
Minha soul acordou meio jazz hoje, por isso indico para agora, pra semana e mais, Medeski, Martin and Wood.
MMW é um trio estadunidense de jazz [e suas “variações”], formado no início dos anos 90 pelos amigos John Medeski, Billy Martin e Chris Wood . Um trio, que, como eles mesmos dizem, deixa as coisas fluírem naturalmente, em qualquer direção, o que acabou por possibilitar uma discografia irreverente que conta com participações de John Scofield à de crianças que espontaneamente falam, gritam e interagem com coisas nada convencionais, induzindo-nos quase que involuntariamente a projetar um sorriso desses de canto no rosto. Cativante, o álbum "Let's Go Everywhere", dedicado aos pequenos, me faz lembrar Adriana Calcanhotto, tanto em “Partimpim”, como em "A Fábrica do Poema", o primeiro por ter esse viés atemporal, uma vez que pais, avós e crianças ouvem e curtem, e o segundo pelas interações, como os copos se quebrando na faixa Sudoeste, além de ambos teatralmente deixarem transbordar o espaço físico em suas músicas, o que também acontece, muito mais claramente, no álbum de MMW.
Agradabilíssimo, aqui vai uma prévia de "Let's Go Everywhere", Where's the Music?
Agradabilíssimo, aqui vai uma prévia de "Let's Go Everywhere", Where's the Music?
Os créditos desse post vão à Paloma e indiretamente ao Estéfani, que passou MMW para ela, que por sua vez me emprestou seu pendrive. Fechando 360graus, aqui está. Viva o compartilhamento.
Loiras e estúpidas
Fico cada vez mais indignado com aqueles que dizem sentir pesadas dores de barriga ou mesmo ressacas monumentais porque beberam determinadas cervejas. Entendo e respeito o inalienável direito das pessoas escolherem o que fazer e mesmo o que beber, mas essa lenda suburbana de que "Kaiser faz isso", "Nova Schin faz aquilo" e "só tomo Skol porque as outras me dão dor de cabeça" é o resultado de um hábito de beber muito, mas não apreciar o que é bebido.
O Brasil vive um momento precioso de aumento significativo das cervejas industriais, artesanais e caseiras à disposição, mas mesmo assim perdura a máxima de que cervejas do tipo pilsen como a Skol são imbatíveis porque "descem mais redondo", isso não é necessariamente verdadeiro porque, ainda que com sutis diferenças, cervejas industrialmente bem feitas como é o caso da Cristal, Itaipava, Kaiser, Skol, Brahma, Antarctica, Kaiser e Nova Shin são organolepticamente muito parecidas, pois são do mesmo tipo, isto é, pilsen ou pilsener. Isso é ratificado pelos testes e provas às cegas de cerveja em que a Nova Shin, por exemplo, é considerada a melhor dentre as citadas, ou mesmo em casos de especialistas em degustação de cerveja ou vinho confundirem as marcas em função de suas semelhanças.
Enfim, na média, brasileiros bebem muita cerveja, mas não a apreciam. Insisto que é direito de qualquer um simplesmente consumir uma cerveja despreocupado, entretanto essa mesma figura não pode aventar-se especialista nesse nobre líquido (aliás, como a maioria dos brasileiros suspeita ser) sem o estudar, sem beber as dezenas de tipos ou mesmo parte das milhares marcas de cerveja no mundo. Esse caso é quase como uma metáfora de um grande mal de nossos tempos: pessoas que pouco sabem e muito falam, esses sim são os nossos demônios já diria o saudoso Carl Seagan.
Abraços a todos,
Estéfani
O Brasil vive um momento precioso de aumento significativo das cervejas industriais, artesanais e caseiras à disposição, mas mesmo assim perdura a máxima de que cervejas do tipo pilsen como a Skol são imbatíveis porque "descem mais redondo", isso não é necessariamente verdadeiro porque, ainda que com sutis diferenças, cervejas industrialmente bem feitas como é o caso da Cristal, Itaipava, Kaiser, Skol, Brahma, Antarctica, Kaiser e Nova Shin são organolepticamente muito parecidas, pois são do mesmo tipo, isto é, pilsen ou pilsener. Isso é ratificado pelos testes e provas às cegas de cerveja em que a Nova Shin, por exemplo, é considerada a melhor dentre as citadas, ou mesmo em casos de especialistas em degustação de cerveja ou vinho confundirem as marcas em função de suas semelhanças.
Enfim, na média, brasileiros bebem muita cerveja, mas não a apreciam. Insisto que é direito de qualquer um simplesmente consumir uma cerveja despreocupado, entretanto essa mesma figura não pode aventar-se especialista nesse nobre líquido (aliás, como a maioria dos brasileiros suspeita ser) sem o estudar, sem beber as dezenas de tipos ou mesmo parte das milhares marcas de cerveja no mundo. Esse caso é quase como uma metáfora de um grande mal de nossos tempos: pessoas que pouco sabem e muito falam, esses sim são os nossos demônios já diria o saudoso Carl Seagan.
Abraços a todos,
Estéfani
domingo, 10 de maio de 2009
Cicloturismo urbano no sertão da farinha podre
Acordei, arrumei o quarto e entrei no msn. O dia estava lindo, temperatura agradável por volta dos 26 graus, algumas nuvens e um sol maravilhoso. Fui até a cozinha, preparei um pão integral com mel e um suco de laranja, me arrumei peguei algum dinheiro, documentos e sai para o primeiro destino: visitar meu grande comparsa de ideias Fred Oliva.Foi muito bom, pois a muito tempo não nos encontrávamos, estávamos nos falando somente por meio da rede mundial de computadores. Lá conversamos sobre muitas coisas, colocamos os planos em dia e sai novamente.
Fui rumo ao bairro laranjeiras e ao entrar nele me deparei com cenas realmente diferentes, parecia que eu havia entrado em um filme. Com ruas estreitas, o bairro me pareceu bem aconchegante. As pessoas ficavam ali reunidas nas calçadas conversando, as crianças brincavam nas ruas e enquanto isso seus cuidadores ficavam de olho. Senti-me um verdadeiro forasteiro.
Depois voltei pela rua do antigo Ubershopping e entrei em algumas ruas que não davam em nada, só em outras ruas que também não davam em nada, lá pude perceber a pluralidade cultural e religiosa, entre uma e outra pedalada surgiam despachos feitos por aqueles que seguem a macumba e/ou candomblé a primeira vista tomei um susto, pois se tratavam de animais mortos, mas depois fiquei mais tranqüilo.
Voltei atravessei a avenida nicomedes e desci uma rua qualquer do bairro morada da colina, fui parar atrás da faculdade Uniminas e ali fiquei por alguns instantes contemplando o por do sol.
A cada dia que passa me surpreendo mais com esta cidade, a bicicleta tem me proporcionado visualizar uma outra dimensão dela, e assim de pedalada a pedalada venho ressignificando meus conceitos e julgamentos sobre o sertão da farinha podre.
Um salve, para mais dias como este.
Música para acompanhar a leitura
Militarismo
No meio civil as pessoas no geral tendem a pensar que os militares são burros, pois apenas obedecem sem ao menos questionar o que foi ordenado, existe uma doutrina nesse meio militar a qual tem o nome de adestramento, no caso adestrar a tropa, como se fosse um animal mesmo, tropa bem treinada é tropa bem adestrada, SIM SENHOR, essas são as palavras mais utilizadas durante o dia-a-dia militar dentro da caserna, a questão é, para que isso?Bem eu já estou na 3° instituição militar da minha vida, servi no EB em 2006, PMMG em 2008, e agora no CBMMG, e entendo perfeitamete a razão de obedecer sem questionar, e eu que sou um questionador ambulante, uma "?" em pessoa.
No meio militar não existe tempo para ponderação pois em quase todas instituções existe o fator vida em jogo, isso quer dizer que, ou alguem vai morrer, matar ou salvar outra pessoa, quando se trabalha com a vida em risco, não tem muito tempo para questionamento, o superior ordena e a ordem tem que ser cumprida, pois parte do príncipio que o superior tem um conhecimento mais detalhado da situação que está ocorrendo, que tem um preparo melhor, seja técnico, piscicológico ou físico para realizar a função, então se a pessoa sabe mais e ordena, não existe a razão para questionar a ordem dada.
É isso só devemos opinar a respeito do que conhecemos, pois se somos ignorantes em determinado assunto o melhor a fazer é permancer em silêncio.
ENTENDIDO?
sábado, 9 de maio de 2009
Jamaica
Interessante como este país e o seu rítimo me cativaram imensamente. Berço dos DJ's, das "bulachinhas", batidas arrojadas, linhas graves de baixo, dos loops, reverbs e delays é um dos poucos países que apesar do título de subdesenvolvido mantém sua identidade cultural sob forte proteção. Se deliciem com a íntegra do artigo publicado em 2003 pelo conceituado antropólogo Hermano Vianna.
"Tanto o dub quanto o reggae são produtos
de uma corrente de energia alternativa que
sempre resistiu a ser submissa intelectualmente,
com a desculpa de ser pobre, em relação ao resto do mundo."
Filosofia Do DUB
Por Hermano Vianna
Peruzzo
Falar de si mesmo é uma tarefa meio complicada, pois sempre tentamos nos fazer parecer melhor que realmente somos. Ao perceber essa manobra do EGO após escrever cinco linhas de quem seria esse tal de peruzzo, notei que eu apenas ESTOU.Mas como assim?
É ESTAR para mim significa modificar-se sempre, e eu gostei dessa idéia. Então no momento eu ESTOU um estudante de psicologia, diretor de arte em uma agência de publicidade, e aspirante a músico. Como se dará essa mistura? Só lendo para saber!
Clique aqui para ver todas as postagens deste autor.
Homenagem a Boal
Olá, caros e caras, pensei escrever aqui uma homenagem ao já saudoso Augusto Boal, um dos nomes mais importantes da intelectualidade brasileira e mais ainda na história do teatro brasileiro. Homem de ação e reflexão, coisa rara nesses tempos de fazedores decerebrados ou criadores burocratas. Por obra de minha esposa, tomei contato com o texto abaixo que homenageia não só Boal, mas também Paulo Freire, outra figura fundamental para a cultura brasileira (ainda que a Veja não ache, o que de certa forma é um elogio a ele).
Abraços a todos,
Estéfani
O oprimido no palco da vida
O que há de mais coincidente entre Paulo Freire e Augusto Boal não é a data de morte nem a história política de ambos que, perigosos ao estado militar ditatorial, obrigou-os a exilarem-se por anos. O que mais aproxima esses dois notáveis brasileiros também não foram os inúmeros prêmios que receberam por suas atividades intelectuais nem as indicações de ambos ao nobel da paz.
A semelhança maior entre Freire e Boal está na profunda convicção que os fizeram lutar incansavelmente por toda a vida: a causa dos oprimidos.
Exatamente no dia em que se completaram 12 anos de falecimento de Paulo Freire (02 de maio), Augusto Boal nos deixou. Mas, a exemplo de nosso maior educador, o fundador do Teatro do Oprimido deixou-nos também um legado de esperança. Sua arte nunca foi mera alegoria da vida ou um sentido em si mesmo. Para Boal, a Estética do Oprimido é, antes de tudo, uma ferramenta de intervenção social.
Em uma de suas últimas falas públicas, no mês de março deste ano, por ocasião da cerimônia em que foi nomeado embaixador do teatro pela Unesco, Boal afirmou que "cidadão não é aquele que vive em sociedade, mas, aquele que a transforma". Disse também que "temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível".
Refletir sobre a biografia de Boal, mesmo num momento tão sofrido, sobretudo para as pessoas mais próximas de seu convívio, é celebrar a vida. É insistir no caminho da mudança a partir e com os mais sofridos. Boal, com certeza, é um desses homens imprescindíveis de que falava Bertolt Brecht. Suas raízes, que já penetraram terras de todos os continentes com tantos núcleos do Teatro do Oprimido espalhados pelo mundo, são a prova social da radicalidade de sua arte profundamente humana e, por isso mesmo, revolucionária.
Aos parentes, amigos, amigas e admiradores de Augusto Boal, manifestamos nossas condolências e expressamos a certeza de que sua presença se eternizará tanto na memória quanto nas práticas sociais que se inspiram em sua valiosa obra.
Instituto Paulo Freire
Abraços a todos,
Estéfani
O oprimido no palco da vida
O que há de mais coincidente entre Paulo Freire e Augusto Boal não é a data de morte nem a história política de ambos que, perigosos ao estado militar ditatorial, obrigou-os a exilarem-se por anos. O que mais aproxima esses dois notáveis brasileiros também não foram os inúmeros prêmios que receberam por suas atividades intelectuais nem as indicações de ambos ao nobel da paz.
A semelhança maior entre Freire e Boal está na profunda convicção que os fizeram lutar incansavelmente por toda a vida: a causa dos oprimidos.
Exatamente no dia em que se completaram 12 anos de falecimento de Paulo Freire (02 de maio), Augusto Boal nos deixou. Mas, a exemplo de nosso maior educador, o fundador do Teatro do Oprimido deixou-nos também um legado de esperança. Sua arte nunca foi mera alegoria da vida ou um sentido em si mesmo. Para Boal, a Estética do Oprimido é, antes de tudo, uma ferramenta de intervenção social.
Em uma de suas últimas falas públicas, no mês de março deste ano, por ocasião da cerimônia em que foi nomeado embaixador do teatro pela Unesco, Boal afirmou que "cidadão não é aquele que vive em sociedade, mas, aquele que a transforma". Disse também que "temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível".
Refletir sobre a biografia de Boal, mesmo num momento tão sofrido, sobretudo para as pessoas mais próximas de seu convívio, é celebrar a vida. É insistir no caminho da mudança a partir e com os mais sofridos. Boal, com certeza, é um desses homens imprescindíveis de que falava Bertolt Brecht. Suas raízes, que já penetraram terras de todos os continentes com tantos núcleos do Teatro do Oprimido espalhados pelo mundo, são a prova social da radicalidade de sua arte profundamente humana e, por isso mesmo, revolucionária.
Aos parentes, amigos, amigas e admiradores de Augusto Boal, manifestamos nossas condolências e expressamos a certeza de que sua presença se eternizará tanto na memória quanto nas práticas sociais que se inspiram em sua valiosa obra.
Instituto Paulo Freire
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Vida nos Bosques... Alemães!
Pra mim é um prazer ser convidada a postar aqui. Não faço nada especial, tenho muitos interesses e nem sei medi-los, então não faço idéia do que colocarei aqui e nem com que frequência, só o que me vier a cabeça mesmo, ou algo interessante que minha memória me permita relatar.
Como dito no meu perfil, daqui cerca de três meses estarei em um intercâmbio de um ano na Alemanha, então ultimamente ando mergulhada na cultura germânica.
O que dominda minha mente agora é o verbo viajar. Viajar, conhecer o mundo, conhecer lugares, pessoas, aprender de tudo, experimentar... Enfim, ver o Sol nascer azul e quadrado.
Não só os preparativos da viagem me fazem ficar sonhadora assim, mas também o livro que eu (lentamente e em frente) sigo lendo. Walden ou a Vida nos Bosques, é um livro que eu indico à todos. Um clássico, que deveria ser cobrado em escolas, porque faz o leitor (re)pensar sobre mil coisas, conceitos, idéias e tudo mais. Ainda estou no começo do livro e só por isso não falo mais, mas é realmente interessante e memorável, merece ser comentado, discutido e passado a frente.
Créditos ao Felipe Tavares, que por acaso foi quem me emprestou e falou do livro.
Como dito no meu perfil, daqui cerca de três meses estarei em um intercâmbio de um ano na Alemanha, então ultimamente ando mergulhada na cultura germânica.
O que dominda minha mente agora é o verbo viajar. Viajar, conhecer o mundo, conhecer lugares, pessoas, aprender de tudo, experimentar... Enfim, ver o Sol nascer azul e quadrado.
Não só os preparativos da viagem me fazem ficar sonhadora assim, mas também o livro que eu (lentamente e em frente) sigo lendo. Walden ou a Vida nos Bosques, é um livro que eu indico à todos. Um clássico, que deveria ser cobrado em escolas, porque faz o leitor (re)pensar sobre mil coisas, conceitos, idéias e tudo mais. Ainda estou no começo do livro e só por isso não falo mais, mas é realmente interessante e memorável, merece ser comentado, discutido e passado a frente.
Créditos ao Felipe Tavares, que por acaso foi quem me emprestou e falou do livro.
terça-feira, 5 de maio de 2009
felipe adora internet
Com pouco menos de um mês de vida, o idearium faz seu début na grande mídia. Em entrevista ao MGTV 1ª Edição, Felipe Tavares fala sobre o coletivo.Confira a reportagem na íntegra.
Créditos ao Hugo pela captação da matéria.
Cultura
Acredita-se que a cultura seja a base da sociedade humana. Cultura é definida em última instância como sendo as práticas e ações sociais, crenças, comportamentos, valores, instituições e regras morais que identificam uma sociedade em um determinado período de tempo. Eu, como futuro professor, acho mais interessante a maneira como essa cultura é transmitida de uma geração para a outra. A criação da linguagem e da escrita serviram, principalmente, para facilitar o ensino de técnicas de caça e coleta de recursos na antiguidade. Portanto, a verdadeira base da sociedade humana, é o ensino, que mantém a cultura ao longo das gerações.
Thiago Tolomelli
Thiago Tolomelli, natural de Belo Horizonte, tem 21 anos. Atualmente cursa Ciências Biológicas na UFU e faz pesquisa na área de entomologia. Pretende escrever muito sobre biologia e áreas afins.Clique aqui para ver todas as postagens deste autor.
Por
Nossas Cabeças
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Carolina Cunha
Em breve Carolina Cunha passará um ano na Alemanha e será a correspondente internacional do coletivo idearium. Sua primeira cidade é Flensburg, extremo norte da Alemanha e fronteira com a Dinamarca.Clique aqui para ver todas as postagens desta autora.
i wanna be free
Se a felicidade fosse uma música, seria a animada “Whistle”, da dupla francesa Sporto Kanès. É impossível ouvi-la e não sair por aí assobiando seu ritmo pegajoso e contagiante. Demais, demais, demais. E o clipe, dirigido pelos também franceses da nOBrain, não fica atrás. É tão divertido e feliz (sim, feliz!) quanto a canção. Ótima pedida para tirar todo o ódio do coração e começar bem a semana.
domingo, 3 de maio de 2009
Desfile impecável
A passista, negra noite fêmea da favela, deslizava linda no sambódromo. Êxtase de carnes. Profusão de líquidos. Escorregou. Surpreendentemente, bela ainda estava na horizontalidade, contudo vertical era mais imperiosa. Feito as rainhas negras das tribos negras da negra África...Suspense...suspenso. Levantou-se. Saiu...man-can-do. Antes de negra imperiosa, é bela porque é falível, é humana.
Estéfani Martins ao som do mestre Paulo Moura, Confusão Urbana, Suburbana e Rural.
Estéfani Martins ao som do mestre Paulo Moura, Confusão Urbana, Suburbana e Rural.
Postado às
22:25
Desfile impecável
2009-05-03T22:25:00-03:00
Estéfani Martins
Estéfani Martins|
Comments
Por
Estéfani Martins
Paz
O som da terra
De cima pra baixo a nossa pequeneza
Um pouco de nada, na vida tem tudo
Olhos fechados, a verdadeira visão
Está dentro de si
Ciência de verdade é uma só
Paz Ciência
Busque além do universo, busque mais
Queira sonhar com algo que o mundo esquece,
Sonhe com a paz
Um Sol dado nesse deserto
Faz de mim um marinheiro
Eterno navegante indo longe
Ao mar e ao céu
Indo além, além das teorias, das idéias
Em busca da verdade,
A paz essa é sempre
Alimento, conhecimento, a realidade.
De cima pra baixo a nossa pequeneza
Um pouco de nada, na vida tem tudo
Olhos fechados, a verdadeira visão
Está dentro de si
Ciência de verdade é uma só
Paz Ciência
Busque além do universo, busque mais
Queira sonhar com algo que o mundo esquece,
Sonhe com a paz
Um Sol dado nesse deserto
Faz de mim um marinheiro
Eterno navegante indo longe
Ao mar e ao céu
Indo além, além das teorias, das idéias
Em busca da verdade,
A paz essa é sempre
Alimento, conhecimento, a realidade.
sábado, 2 de maio de 2009
Quatorze mil anos
The Man From Earth é um filme que merece destaque pelo fato de abordar tópicos delicados de forma original. Este filme ilustra como a ficção científica funciona muito bem ao discutir questões de nosso tempo. Toda a história se passa em uma pequena sala de uma casa afastada da cidade e o foco são os diálogos. Pra quem gosta de diálogos bem estruturados esse filme é um prato cheio. Já quem prefere as explosões e correria de Hollywood talvez esse filme não seja o que esteja procurando.John Oldman é professor de história e de forma inesperada anuncia que irá abdicar do cargo e mudará de cidade. Seus amigos, também professores, vão até a sua casa para saber o por que da escolha de John. E é aí que o filme se torna cada vez mais interessante e nos envolve em uma espécie de jogo onde procuramos entender o que se passa na cabeça do protagonista.
O que irei dizer agora não é spoiler. Toda sinopse traz essa informação e o enredo não depende deste mistério. Ao justificar a sua saída, John informa que tem 14 mil anos de idade e que muda de lugar de 10 em 10 anos quando as pessoas começam a perceber que ele não envelhece. E é aí que entramos num funil de idéias onde os cientistas (biólogo, arqueólogo, antropólogo, médico...) presentes na casa levantam hipóteses sobre como isso seria possível e argumentam tentando encontrar falhas na história absurda apresentada. Este jogo de perguntas e respostas leva uma atmosfera de desafio e mistério colocando a prova os conhecimentos dos renomados professores alí presentes.
O meu objetivo aqui não é contar o enredo, apesar de já ter feito isso em parte. Apenas quero informar que esse filme traz uma abordagem acerca da história antiga e construção da cultura e conhecimento da humanidade de forma original. Em uma época onde a informação andava a cavalo e trazia o ruído dos mensageiros e dos tradutores, situações simples se tornavam contos grandiosos cercados de alegorias e heroísmo influenciando uma cultura baseada na imaginação e criatividade do homem. Poucas vezes paramos pra pensar dessa forma. Por isso gosto tanto desse filme e recomendo a todos.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
O Escafandro e a Borboleta

Existem duas coisas que não estão paralizadas em mim: minha imaginação e minha memória. Minhas imaginação e minha memória eram as duas únicas maneiras de poder escapar do meu escafandro. Eu podia imaginar qualquer coisa, qualquer um, qualquer lugar.
O Escafandro e a Borboleta é um filme francês, premiado com o globo de ouro de melhor filme estrangeiro e melhor direção, também ganhador do Grande Premio Técnico de Cannes, entre muitos outros. O filme tenta transcrever a história do ex-redator da revista francesa Elle, Jean-Dominique Bauby, através de sua ultima publicação literária quando, após um derrame, vê-se preso a seu corpo, paralisado, consequencia de uma doença rara chamada locked in.
O que impressiona durante todo o longa é a fotografia de Janusz Kaminski que nos coloca paralelo ao personagem, nos dando o prazer [ou o desprazer] de enxergarmos a realidade vivida por Jean-Do. A narrativa construída aos poucos não nos conta imediatamente tudo oq se trata. Conhecemos os fatos na mesma linha temporal que o personagem principal, que vai se lembrando dos acontecimentos , analisando sua vida até que enfim, possamos conhecê-lo, totalmente. É aqui que o filme nos emociona. Em nenhum momento Jean-Do se passa como um coitado digno dos nossos pezares. A sensação é de um homem [leia-se homem], carnal, contraditório e belo. Como o ser humano é. Sem rodeios. O longa consegue fazer perceber todas as contradições necessárias sem que com isso nos distanciemos do personagem principal, pelo contrario, conseguimos nos identificar, ora, por demais:
Hoje, sinto que minha vida é uma série de frustrações. Mulheres que não fui capaz de amar...oportunidades que não soube avaliar...momentos de felicidade que deixei escapar. Uma corrida cujo resultado eu conhecia de antemão mas falhei em escolher o vencedor. Tenho sido cego e surdo ou o duro golpe me fez descobrir a minha verdadeira natureza?
Entrar na mente de Jean-Dominique Bauby é se relacionar com nossas próprias frustrações, reviver nossas próprias lembranças, é articular alguma forma de nos desprendrer do nosso escafandro, de encontramos a nossa borboleteta. O ex-redator da revista Elle morreu 10 dias após a publicação do seu livro, escrito no hospital através de um método desenvolvido por sua fonoaudióloga onde Jean-Do cita cada letra com o piscar de um olho.
Através da cortina em fiapos, um tênue brilho anuncia o raiar do dia. Meus calcanhares doem, minha cabeça pesa uma tonelada, todo o meu corpo está encerrado em uma espécie de escafandro. Minha tarefa agora é escrever as inertes anotações de viagem de um náufrago nas praias da solidão. Originalmente este Hospital Naval foi uma casa para crianças com tuberculose. No corredor principal tem um busto de mármore branco da Imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão III, patrono do hospital, que o visitava com freqüência. Havia uma vasta fazenda, uma escola e um lugar onde supostamente o grande Diaghilev ensaiou seus balés russos. Dizem que foi aqui que Nijinsky deu seu famoso salto erguendo-se a 3 metros do chão. Ninguém mais salta aqui. Hoje em dia só há velhos e fracos, ou como eu, estáticos e mudos. Um batalhão de alejados.
Não há de se falar muito para um filme que é perfeito, do início ao fim.
