domingo, 23 de agosto de 2009

La Canastra

Serra da Canastra Num momento nostálgico no último dia de minhas férias [looongas férias], venho compartilhar com vocês dois dias que me reenergizaram para o novo semestre. Além de deixar a curiosidade e a vontade de conhecer um dos lugares mais lindos e receptivos que já conheci.

Pausa à vibe romântica.

Mas é que há alguns dias estive no Parque Nacional da Serra da Canastra, para quem gosta de natureza, água fria e cachoeira o lugar é ideal. Em meio à sequidão julhina a água brota e a vida surge em cada fresta orogênica da Serra. Alugue um Jeep [ou algo que o valha], arrume sua mochila, leve sua bicicleta e fique mais de dois dias. Recarregue suas energias.

Aqui, minha gratidão, ainda que escondida, à terra do São Francisco e do melhor queijo minas.
Foto: Cachoeira Casca D'Anta, Rio São Francisco.

sábado, 22 de agosto de 2009

Cheirosa

Curta independente de Carlos Segundo. Uberlândia cada dia melhor em relação ao seu espaço autônomo. Um péssimo dia, um encontro e um novo olhar.


Direção: Carlos Segundo
Fotografia: Clóvis Cunha
Arte: Castor A. Tavares
Ass. Direção: Julyana Nassar
Som: Pácis Jr.
Trilha: Homem - Andreia Dias
Montagem: Carlos Segundo
Produção: Cassfilmes e Sivolc Productions
Com: Valéria Gianechini e Umberto Tavares

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

In Jim we trust

When You´re Strange, título tirado a partir do hit People are Strange, é um documetário sobre uma das bandas mais famosas da década de 60. O filme retrata a tragetória da banda The Doors, formada por Jim Morrison, John Densmore, Ray Manzarek e Robby Krieger, usando imagens nunca vistas antes, desde a sua formaçao em 1965, até a morte de Jim Morrison em 1971. Escrito e dirigido por Tom DiCillo, foi um dos documentários apresentados no Festival de Sundance de 2009.

Assista o trailler do documetário:

Lívia Rochael

Lívia Rochael é estudante de agronomia, nunca trocou um pneu e tem um quê de misofobia.

Clique aqui para ver todas as postagens desta autora.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino

“Você viaja para reviver o seu passado? – era, a essa altura, a pergunta do Khan, que também podia ser formulada da seguinte maneira: Você viaja para reencontrar o seu futuro?
E a resposta de Marco:
- Os outros lugares são espelhos em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá.”


O livro é uma ficção que reúne diversas descrições de cidades imaginárias feitas por Marco Pólo, no período em que o famoso viajante veneziano serviu ao Imperador mongol Kublai Khan. Khan espera encontrar nas descrições feitas por Marco Pólo o sucesso para a conquista de seu futuro grande Império. A cada descrição das supostas viagens do mercador, o imperador Kublai Khan se vê mergulhado no tom encatatório em que Marco Pólo narra suas histórias, almejando não somente conhecer as cidades que o amigo e servo visitou mas em um dia conquistá-las. Dentre as pequenas descrições, intercalam também no livro de Calvino os diálogos entre Marco Pólo e Kubai Khan onde discutem a veracidade das cidades citadas pelo mercador, suas simbologias, seus habitantes e tudo quanto nelas é especificado e excêntrico.

O livro é para quem gosta de viajar e ater o olhar para as variadas morfologias dos lugares, os habitantes e sua cultura. Por ser dividido em pequenos capítulos, a narrativa não contínua nunca se torna cansativa, e por incrível que pareça, nunca repetitiva. Livro de bolso para ler viajando de carro, ônibus ou avião. Para aprofundar os desejos de ir mais longe, conhecer mais e aprender com cada lugar conhecido, com cada nicho visitado, com a vida vivida em outro canto que não o nosso pequeno.


“Poderia falar de quantos degraus são feitas as ruas em forma de escada, da circunferência dos arcos dos pórticos, de quais lâminas de zinco são recobertos os tetos, mas sei que seria o mesmo que não dizer nada. A cidade não é feita disso, mas das relações entre as medidas de seu espaço e os acontecimentos do passado [...] A cidade se embebe como uma esponja dessa onda que reflui das recordações e se dilata. [...] a cidade não conta o seu passado, ela o contém como as linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos corrimãos das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos mastros das bandeiras, cada segmento riscado por arranhões, serradelas, entalhes, esfoladuras.”


Para ler mais trechos do livro, clique aqui.

Boas viagens e boas cidades, sempre, à todos.

Incrível

Não vou dizer nada, vou deixar que as imagens falem!



"The Cove ('A Enseada', em tradução literal) , um dos mais extraordinários filmes de crime sobre a vida selvagem já produzido.Premiado em janeiro no Sundance Film Festival - maior festival do cinema independente americano, o documentário expõe dramática e magnificamente a matança dos golfinhos em Taiji no Japão, em que aproximadamente 23 mil golfinhos são mortos anualmente."

Via seashepherd.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Coluna Ouvidosnegros - Novo de novo

Coluna de um ouvinte dedicado da música negra. Aquela... que pariu o rock que forjou o metal pesado com que se fez – bem no centro do que é rápido e visceral - o som feito morte, feito pancada, feito demônio, feito lixo, feito tristeza que nos fez e nos faz ficar batendo cabeça pelas quebradas.

Novo de novo

Por Estéfani Martins
opera10@gmail.com
sambluesoul.blogspot.com
idearium.com.br

Versões de músicas consagradas já proporcionaram a humanidade momentos únicos tanto de horror tacanho e descartável como de prazer estético incomparável. Exemplificam a primeira tradição, as versões de gosto duvidoso de sambas históricos assassinados pelas interpretações de Emílio Santiago e Simone. Do outro lado, merecem honrosa lembrança as muitas versões inspiradas de velhos blues interpretados por bandas como Rolling Stones, Canned Heat, Cream, etc. Outra lembrança imediata é a versão do clássico “Maracatu atômico” do trovador moderno Jorge Mautner orquestrada pela banda símbolo do manguebeat Chico Science e Nação Zumbi, ou ainda a versão de “Bullet blue Sky” do U2 feita com a dureza e a potência do Sepultura, que, aliás, deu mais consistência à música do que seus autores conseguiram. Vale lembrar também as versões do Metallica feitas pelo ótimo quarteto Apocalyptica, especialmente a já antes belíssima “Fade to Black”, que ganhou uma versão irretocável, sem dizer nas versões arrebatadoras de “Master of Puppets”, “Seek and destroy”, entre outras. Outro grande momento em que músicas já excelentes foram reinventadas por obra de gênios como Elis Regina e Hermeto Pascoal foi no Festival de Montreaux, em 1979, quando eles deram cores novas a clássicos da música brasileira com interpretações maravilhosas e no improviso de “Corcovado”, “Asa branca” e “Garota de Ipanema”.

Sobre o mesmo tema, sempre ficava desconfiado de versões que muito modificaram especialmente o estilo original da música, mas tenho ficado surpreso com pancadas como “Killing in the name of” da sempre saudosa banda Rage Against the Machine, reinterpretada pelo inventivo grupo The Apples; ou “War Pigs” e “The Wizard” do eterno Black Sabbath, ou a quebradeira total do clássico “Moby Dick” do Led, ou ainda “Crostown traffic” do deus Jimi Hendrix e “Helter Skelter”, do álbum branco dos Beatles convertidas em petardos funk pela excelente e criativa banda Bonerama.

Enfim, versões ou regravações são formas de sentirmos novidade no que se imortalizou pela qualidade e pela atemporalidade e, assim, ficamos com dois ou mais olhares sobre uma mesma obra. Claro que isso pode também servir como caça-níqueis ou mesmo como “solução” para a falta de inspiração sempre a espreita até de grandes bandas. Entretanto, esses são os riscos necessários de se lidar com a novidade, especialmente quando o novo visita a maravilha dos velhos e monumentais long plays na estante.

Estéfani Martins, professor de Redação e Atualidades do INEICOC, coordenador da CCCult, produtor cultural, gaitista amador, palestrante nas áreas de cultura e multimeios.

Observação: esse artigo foi originalmente publicado no zine Páginas Vazias.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Um conto perdido

Havia algo de estranho com aquele garoto. Sua respiração era calma como o findar de uma tempestade de verão, mas tão profunda que parecia que o menino fosse sucumbir a qualquer momento. Posicionado no canto da parede modelada pelo mosaico de folhas rasgadas, cola e outras imundices do capitalismo trajado de rostos bonitos e de sonhos por 9.99, estava agachado com os braços abraçando as pernas, como se estivesse protegendo seu próprio mundo. Tinha a cabeça baixa e os cadarços desamarrados. Talvez por ser desligado dessas coisas tolas que se aprende na escola da vida ou talvez porque nunca aprendera a amarrá-los, culpa de seu Q.I abaixo da média. Balançava seu corpo para frente e para trás num ritmo que só ele entendia e conseguia acompanhar, batendo hora sim, hora não, suas costas no vão que se formara por estar tão rente à parede.

Eu estava sentado do outro lado da rua, comendo um daqueles X-incógnita que você nunca sabe do que é feito, saciando minha fome e simultâneamente desejando não estar cometendo tal ato, porque minha consciência pesava. Tendo a gordura como amortecedora da minha falta de disciplina, nunca fui gordo; mantinha uma pequena saliência que eu conseguia disfarçar com minha postura sempre ereta e meu ar de gentleman – daqueles britânicos ou franceses de sotaque forçado e olhar de peixe morto. Não que eu me sentisse superior, mas vivendo nesse nosso mundo onde a propaganda é a alma do negócio, penso que um pouco de embalagem nunca é exagero.

Saindo do escroto e regressando ao garoto, várias pessoas passavam por ele e não o percebiam ali naquele canto. Cada uma delas já estava abarrotada de preocupações e de nada ajudaria se darem ao luxo de mais alguma. Filhos para cuidar, contas a pagar, o cardápio do almoço entre tantas outras peculiaridades que fazem parte da vida de qualquer pessoa. Foi aí que alguém parou ao seu lado e ficou observando o jovem enquanto falava ao telefone. Era uma mulher bonita e esticada, na flor de suas 37 primaveras. Tinha madeixas longas e ameladas, e carregava em sua mão, além do celular, uma bolsa. Pela posição da sacola em seu braço, que formava um ângulo perfeito de 90° e pelo figurino da fera-bela com óculos zangão, mas se portanto como abelha-rainha, com certeza era alguma socialite mais preocupada com os convidados da festa destinada a arrecadar fundos para uma ONG de proteção aos Cavalos da Mongólia, do que para o fim que o dinheiro “suado” seria utilizado. Ela abriu a bolsa, se desdobrando pois ainda estava ao ascultador, retirou várias moedas e as soltou, deixando-as cair ao lado do menino e tintilando pela calçada e rua afora. Saiu como se nada tivesse acontecido e se misturou ao mar de gente que continuou a ondular pela maré do cotidiano.

Eu comigo mesmo dei a pensar por que é que as pessoas se dão o trabalho de ajudar o próximo se nem ao menos sabem do que o outro necessita. A jovem senhora não sabe e nem descobrirá se o garoto tinha fome de aço revestido com cobre, apesar de o cenário e o enredo serem propícios para tal ato. Depois disso, o garoto permanecia ali, no mesmo lugar, só que não mais dançando aquela melodia grotesca do vai-e-vem. Agora ele colocara sua cabeça entre as pernas e brincava com as formigas que trabalhavam ao seu redor, no chão. Sua amência não distinguia se os formicídeos pudessem ser Solenopis, cujo veneno causa aquela coceira incomoda. Percebi que aqueles pontos negros que se movimentavam na calçada começaram a ficar mais densos e antes, se eu tinha dificuldades em visualizar um ou outro, vejo nitidamente o enebriado que parece carregar o menino que estava ali parado.

Num inopinado pulo, saio de minha área de conforto e atravesso a rua sem nem ao menos exercitar minha condição de bom cidadão, sondando os lados. Foi então que, mesmo apertados, vi minha vida transcorrer pelos olhos num relance tão impressionante, que consegui provar para mim mesmo que a história de “filme que se passa na cabeça quando está para morrer” é realmente verdade e que a sinopse dela seria breve, muito breve.

Demasiado desespero meu que demasiei também nas promessas no momento da morte - imagino um Deus profissional em datilografia, se perdendo nas palavras fulas e tolas que eu proferi no momento de desesperação, jurando erais e beiras. A única coisa que me faltou foi ajoelhar, mas na condição em que eu me encontrava, tive sorte em não precisar ir correndo me trocar.

O motorista do carro parou, fitou-me a queima roupa com um olhar sanguífico e soltou um grutual grito de repulsa e cólera, xingando até a minha última geração. Saiu logo em seguida ao perceber que uma discussão no meio da rua não resultaria em nada além de tempo perdido e um bando de curiosos a espreita de algum acometimento, além do verbal. Findo meu percurso e ainda é possível sentir a fuligem de pneu queimado ardendo em minhas narinas e a circulação voltando para o meu corpo lentamente. Recupero a cor, chego até o menino e o levanto pelos braços, distanciando-o das formigas. É neste momento que percebo que o garoto havia pisado no formigueiro e atiçado as inocentes que estavam se defendendo do gigante abobalhado. Tá ficando louco!? Disse eu ao jovem enquanto dava tapinhas em suas pernas tentando livrá-lo de mais picadas.

Foi então que percebi o quão sujo e repulsivo era aquele ser.

Ele não estava só rodeado de formigas. Havia moscas e o cheiro era insuportável: uma mistura de urina, feridas abertas e imundices. Aquilo que eu achava ser um par de cadarço, nada mais eram do que duas sacolas plásticas amarradas a um trapo que um dia fora um tênis de uma marca vagabunda qualquer. Meus olhos lacrimejaram, tive ânsia de vômito e vontade de soltá-lo ali mesmo e nunca mais voltar a vê-lo, mas meu senso Unicef não me permitiu. Quis tapar o nariz, mas achei que seria muito humilhante, até mesmo para aquele moleque. Quando ele abriu a boca a falar, desejei que fosse mudo, mas lembrei que a linguagem dos sinais é gesticulada e ele teria que levantar os braços para se comunicar. Então desejei que fosse aleijado.

Parei de desejar quando vi que seus olhos eram piedade e sofrimento, numa mistura pior que aquela do odor descrito outrora. Tive vontade de voltar ao tempo e prostrar-me aos pés da socialite abelha-rainha, agradecendo-a com todo meu pobre vocabulário por ter percebido e ajudado aquela alma esquecida. Lembrei dos ensinamentos de minha mãezinha; o não desperdiçar, o não julgar, o não desejar demais, porque foi neste momento que ele sucumbiu. Ficou mudo, aleijado. Ficou morto. A cabeça pendeu para trás e as esferas permaneceram ali abertas, mas vazias, olhando para o nada.

Boquiabertos estávamos nós dois.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Operação Pandemia

Pessoas sadias andando de máscara nas ruas, aulas e eventos de aglomeração adiados, as filas dos bancos são feitas nas ruas e pra todo lado há avisos de como se previnir do influenza. Ou seja, todo mundo tem medo. E não é de hoje que essa avalanche midiática acontece, espalha o pânico, e depois ninguém mais fala nisso. Então é importante olharmos fora da mídia de massa e entendermos as coisas por um outro lado. Veja esse documentário argentino sobre o tão falado H1N1. É importante saber que algumas empresas ganham muito dinheiro em cima do medo das pessoas. Então calma lá, o vírus ta aí e não deve ser ignorado. Mas não é e está longe de ser o fim dos dias.

domingo, 2 de agosto de 2009

Pensamento do Buteco Copo Sujo

A perseguição dos desejos é algo interminável
Pois a única lei fixa no universo é o movimento
Fatores externos exercem coerção sobre o ser.
Mas jamais tente mobiliar vosso espírito com concreto.
Pois o concreto, em contato com as barras de ferro retorcidas
da estrutura de nossos aleijos educacionais,
chegará a um momento do tempo
em que não haverá mais tempo para removêlos
O reflexo da lua no lago é a própria lua?
Rasguemos o Véu de Maya.
Grandiosa é a herança que Pandora nos deixou
Imaginar, não dá dor de cabeça

Música da banda Cabruêra, se chama Mungazé, para quem quiser ouvir.

Concordo com a parte que diz que a única lei fixa no universo é o movimento, tudo é movimento, pensamentos, palavras e ações, tudo isso faz o mundo girar, se movimentar. Como a maioria já aprendeu que nunca nos banhamos na água do mesmo rio duas vezes, pois já não somos mais os mesmos e a água do rio já não é mais a mesma, aprendemos que a cada 7 anos todas a células do nosso corpo são trocadas, então a cada 7 anos somos pessoas totalmente novas. A mudança é constante em toda parte de nosso universo seja no micro ou macro, o estranho é que algumas mudanças a maioria das pessoas não as aceita, uma delas é a morte, apenas mais um movimento, uma mudança. Como Raul já disse em uma de suas músicas o caminho da vida é a morte, então é aceitar pois essa é a lei do universo.