quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Estreia da semana: Salve Geral

Escolhido para representar o Brasil no Oscar, Salve Geral estreia com a aura de bom filme e cercado de expectativa de boa bilheteria, algo que ainda não aconteceu este ano com um drama nacional, mas que o diretor Sérgio Rezende tem experiência em fazer.

O filme conta a história de Lúcia, professora de piano, uma mãe desesperada para tirar o filho da cadeia. Sem dinheiro para pagar o advogado, acaba envolvendo-se com a facção criminosa paulistana denominada Comando (ou PCC), responsável pela onda de terror que invadiu São Paulo no fatídico Dia das Mães de 2006.

A história política é baseada em fatos reais (imagino que todos se lembrem), mas a história central é fictícia. Foi a maneira que Rezende encontrou de mostrar as mulheres por trás do Comando e os motivos que as levam a perder a integridade.

A personagem Lúcia é concebida como uma metáfora à sociedade, que acha fácil julgar as questões sociais, vive numa “redoma”, mas que ao ter uma proximidade grande com aquele mundo, passa a agir como o “sistema” deles impõe e além disso, entende as razões deles e põe em xeque tudo aquilo que a conduzia moralmente, ao ponto de envolver-se inclusive emocionalmente com um dos chefes da organização. Numa cena crucial, ela conversa com a irmã sobre as barbáries que estão acontecendo na cidade e desabafa: “Só não quero ser juíza de nada.” Uma pena que tal cena tenha sido mal explorada, pois era o momento dos roteiristas/diretor elaborarem melhor a sua visão e principalmente, o momento para Andréa Beltrão arrebatar o público com sua interpretação – sensacional, é bom que se diga – mas que não tem uma cena em que realmente emocione, sendo sempre muito dura e amargurada.

O elenco está muito bem, composto em sua maioria por atores de teatro, com destaque para Denise Weinberg, no papel de Ruiva, a sujeita que mantém a “fachada” para o Comando e que aproxima Lúcia à organização.

Outro destaque fica a cargo da trilha sonora, assinada pelo estreante em cinema Miguel Briamonte. A música que permeia toda a ação é bem forte, com ritmo insandecido, com toda a tensão e pulsação que a situação pedia.

Salve Geral é uma megaprodução, bem executada, mas que não passa disso. Falta algo e eu julgo que seja um pouco mais de intensidade, há muita economia. Usa poucas imagens de arquivo, economiza na emoção dos personagens e nas cenas de ação do filme. Ainda que soasse “atração” para o grande público, mais cenas de perseguição, tiroteiro, assaltos e afins não faria mal ao filme. Poderia ser mais “soco no estômago” e menos “água-com-açúcar”.

Certa hora, um dos presidiários diz um dos lemas do Comando: “Nosso grito se espalhará pelo país. Se for para amar, amaremos. Se for para matar, mataremos.” O grito deles espalhou-se por São Paulo e pelo país, mas a julgar pelo que vi, o grito de Salve Geral (o filme) dificilmente ecoará mundo afora, quiçá no Oscar.

Ainda assim, Salve Geral é um bom filme e será merecido se for prestigiado pelo público brasileiro.

Salve Geral
(Brasil, 119 minutos, 2009)
Dir.: Sérgio Rezende
Com Andréa Beltrão, Denise Weinberg
Nota 7,0
Leia a entrevista exclusiva com o diretor Sérgio Rezende, aqui.
Postado originalmente em www.fredburlenocinema.blogspot.com.

domingo, 27 de setembro de 2009

Blog Action Day 2009

O que um blog pode fazer para mudar o mundo? Sozinho, pouca coisa. Mas felizmente não estamos sozinhos. Existe milhares de blogs cobrindo os mais diversos assuntos ao longo de todo o mundo. E essa é chamada do Blog Action Day, ação que faz o maior evento de mudança social online do mundo.

Dia 15 de outubro todos os blogueiros estão convocados a pensar em um único assunto de importância global e inundar a internet com informação e opinião a respeito a fim de tornar o tópico impossível de não ser mais comentado e discutido.

Ano passado a ação movimentou 12 mil blogueiros e atingiu 14 milhões de leitores em torno do tema pobreza. Em 2009 o tema escolhido foi mudanças climáticas. Importante escolha pois o tema anda em partes esquecido. De fato, as mudanças climáticas, apesar de já acontecerem, só atingirão com toda sua força o mundo daqui a alguns anos. E as pessoas costumam agir de forma imediatista e não pensar no que está por vir. Enfim, ações como essa são indispensáveis pra retomar o foco e não deixarmos pra discutir o assunto quando a cagada já estiver grande demais.

O idearium já está inscrito no evento, então fique atento ao dia 15 de outubro. Se a ação realmente der certo, você não passará despercebido por essa data. Acompanhe o blog brasileiro oficial e também o twitter internacional da Blog Action Day.

Fred Burle

Fred Burle tem como profissões a prática arquivista e a produção cinematográfica. Já produziu 5 curtas metragens e prepara-se para produzir o seu primeiro longa documentário. Residente em Brasília/DF, adora escrever críticas sobre os filmes que assiste e as compartilha em seu blog, o Fred Burle no Cinema.

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sábado, 26 de setembro de 2009

Negro Drama

Negro Drama sendo recitado, com esse jeito a letra tende a ser menos agressiva e um pouco mais culta, gostei dessa versão, Seu Jorge mostrando que Racionais não é só música para preto pobre e favelado.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

P.A.I

VT criado para um programa que dá suporte à famílias que não têm condições de fazer exame de DNA. O(s) nome(s) da(s) empresa(s) não importa - até mesmo porque este espaço aqui acredito que não tem essa intenção - mas vale a mensagem.

video
Redação - Altair Jr.
Edição - Frederico Paiva

A planta que fuma

Em 7 de agosto de 2009 entrou em vigor a lei antifumo no estado de São Paulo. Há muitas opiniões divergentes sobre a lei, mas como no próprio site fala, contra fatos não há argumentos. E esse projeto mostra o fato de forma simples e bem apresentada.

Dois girassóis mantidos em condições idênticas. Duas cúpulas de vidro com ventilação e recebendo água diariamente. Porém, com uma diferença: uma delas vai fumar passivamente um maço de cigarros por dia, durante uma semana.

A proibição do fumo em lugares públicos é prática comum em várias cidades do mundo. Espero que no Brasil também seja. Confira o vídeo com o resultado final do projeto e acesse o site A Planta que Fuma.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Som das cidades

A idéia é maravilhosa, citysounds.fm se propõe em colocar num só lugar as músicas características de cada cidade do mundo. Mas o erro do site foi convidar os usuários pra fazerem seus uploads. Convenhamos, música eletrônica não é, de certa forma, de lugar algum. E quase tudo o que encontrei lá foram música dos DJs locais provavelmente enviadas por eles próprios. Uma moderação baseando a playlist em termos históricos e com algumas regras óbvias como ter a letra no idioma oficial do país e que o intérprete ou compositor tenha ligação direta com a cidade é indispensável pro site ficar realmente bom. Essa é uma idéia maravilhosa que está sendo desperdiçada.

Acessos

A partir de uma experiência urbana, guiada pela atração promovida pelos elementos que compõem a cidade, um caminho é percorrido sem o estabelecimento de um ponto final. Uma espécie de "deriva" (andar sem rumo), com toda a condição de se ter partido de um local consideravelmente íntimo, em um primeiro momento.

Uma situação de estranhamento, que se torna confortável na medida em que nos dispomos a, simplesmente, sentir. Um ato atípico, para qualquer vida, mas que promove a apresentação de outros pontos de vista, que impulsionam o sentimento de desencontro com a particularidade banalizada por tempos e convenções.

O caminho passa a ser marcado por singelas marcações enquanto a gradativa inserção na escala do homem promove a possibilidade de experimentação de espaços não convencionais a nós, mas, quem sabe, banais à outras rotinas.

O próprio corpo é utilizado como alternativa de apreensão sensorial de espaços construídos para servir outros corpos, que não os nossos, até então. Esta experimentação denunciou a freqüência de elementos arquitetônicos contemporâneos que conduzem a momentos, mas que não existem em um imaginário formal criado nas relações de apropriação do espaço ou na memória referente a dado espaço. Elementos de deslocamento pensados para servir o homem, que se referem a uma necessidade real de transposição pública e que por suas características de implantação segregam e selecionam, anulando possibilidades de uso.

Estas alternativas arquitetônicas, necessárias para a utilização pública do espaço, tornam-se um problema ao espaço construído por terem sido digeridas como simples necessidade espacial e que precisa ser anexada aos novos espaços e aos já antigos. É este entendimento superficial, de configurações espaciais socialmente adequadas, que fizeram com que rampas de acessibilidade a edifícios de acesso público se tornassem nosso atrativo para a criação de um percurso.


"Acessos" é a representação da reflexão desenvolvida sobre esses definidores espaciais e que desenham não somente espaços urbanos, mas inclusive, se possível, desenham o próprio uso destes espaços, apoiando a tendência urbana atual que se aproxima de uma programação formalizada.

Esses elementos de apoio a transposições é tornado realmente coletivo a partir do momento em que todos os usuários do espaço urbano passam a utilizar este recurso como meio para seus deslocamentos cotidianos.

Desta forma, "acessos" é tridimensionalizado em um conjunto de módulos de madeira em uma releitura dos elementos de acessibilidade e levado às ruas com diferentes combinações, gerando, assim, novos caminhos a percursos banais a todos passantes.

Esse módulo de transposição, além de proporcionar uma nova dinâmica ao cotidiano desanimado por horas marcadas, unificará o acesso a todos que por aí passarem e poderá oferecer outras percepções espaciais a partir do deslocamento vertical o qual estabelece.

Com caráter efêmero, o conjunto confeccionado proporcionará diferentes combinações destes módulos que serão adequadas aos distintos locais de montagem considerando as especificidades do entorno.

Os módulos serão inseridos no espaço urbano por 7 dias em diferentes locais da cidade. As transformações sensoriais ocorridas durante esse período serão registradas e expostas na Casa da Cultura de Uberlândia durante todo o mês de Outubro. Por enquanto, são desconhecidos os momentos consequenciais à essa intervenção urbana.
(texto de Ariel Lazzarin)

Autores do projeto: Ana Paula Tavares, Ariel Lazzarin, Mairla Melo e Kássia Borges.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Lost no mapa

A sexta e última temporada de Lost está chegando e no meio de tanta confusão característica do seriado é bom ter algumas ferramentas pra lembrarmos dos acontecimentos. Além dos milhares de blogs falando do assunto, a página mais interessante que encontrei foi o LOST Maps, desenvolvido pelo Dudu Maroja em inglês. Esse mapa é uma forma criativa de ambientar geograficamente todos os acontecimentos do seriado. A trama tem referência em quase todo o mundo, e lembrar de cada detalhe é impossível. Então é só entrar no mapa e clicar nas marcações pra saber o que aconteceu naquele lugar. Quase todas as informações possuem referências, várias delas da Lostpedia, o que deixa o mapa mais confiável. A idéia chamou tanto a atenção que até o blog oficial do google maps o publicou.


Visualizar LOST Maps em um mapa maior

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

The Mist

The Mist - O Nevoeiro O Nevoeiro (The Mist), último trabalho do elogiadíssimo diretor e roteirista, Frank Darabont, diretor de Um Sonho de Liberdade e À Espera de Um Milagre, que, na minha opinião, são dois dos melhores filmes do mundo. Frank Darabont, um expert em adaptar obras literárias do consagrado autor norte-americano Stephen King para o cinema, apresenta um filme de horror impecável, que é em si uma metáfora para as diversas peculiaridades do íntimo do ser humano.


Apesar de deter uma temática comum à diversos filmes-catástrofe, o que distingue e coloca O Nevoeiro num patamar acima dos outros é a relação quase umbilical que o filme traça entre o iminente horror vivido pela população e o aflorar de ações nada ortodoxas por conseqüência. Ou seja, o filme faz um impressionante estudo acerca dos pensamentos e ações mais íntimos da humanidade, onde a insanidade, o individualismo, o egoísmo e a intolerância ultrapassam as barreiras do bem-comum e transforma o todo a sua volta.

Impossível não destacar a personagem de Marcia Gay Harden (vencedora do Oscar por Sobre Meninos e Lobos), fervorosa e fanática religiosa, que atribui toda a tragédia como conseqüência direta dos atos dos homens perante o mundo, que aquilo seria um castigo divino e que caberia a ela separar os ‘cordeiros dos lobos’. À partir deste gancho uma característica inatamente humana é analisada, a da transitoriedade e dinamicidade de ideais do homem, principalmente nos dias atuais, tão impregnado pela busca do efêmero e simples, quando a personagem, tida como louca no início do filme, vai ganhando espaço devido as suas ‘predições’ catastróficas, como um messias, acerca do futuro de todos os presentes no local. Por fim, é inevitável que ela traria consigo grande parte dos presentes a serem seus seguidores, pois, quando pressionados e em dúvida, os seres humanos geralmente se agarram a fé cega, carregada de medo e de dúvidas.

Contudo não é só a intransigência derivada da centralização e do radicalismo tanto religioso quanto político que o filme aponta, mas também discute acerca da pequenez uma humana em contraste com a grandeza do universo, a paranóia vivida por grande parte da população quando passa por momentos de crise, o subjetivismo advindo do medo e, por fim, os conseqüentes efeitos que tais sentimentos e ações exercem sobre o homem e seu semelhante.

São estas e outras as diferenças marcantes entre O Nevoeiro e as demais produções do gênero, visto que, ao contrário destas, o filme abraça de forma brilhante e concisa a carga de tensão, medo e perigo inatas dos filmes de horror com discussões contundentes acerca do papel do homem neste ambiente e as diversas possibilidades de pensamentos existentes. Tudo isso sem apelar para os efeitos-digitais mirabolantes, mas sim utilizar temas humanos para discutir sobre o ser-humano, metaforicamente trabalhado pelo horror causado pelo desconhecido e pelo medo.

Música Comercial x Música Independente

Sempre tento explicar o porquê de eu não gostar de algumas bandas, ou de alguns estilos que a grande maioria gosta. A meu ver esses artistas que não necessitam ser citados, pois são muitos, se encaixam perfeitamente não só nos quadros da música comercial, mas também se adequam ao conceito de indústria cultural, sendo este mais amplo, abrangendo toda forma de arte.

Claro que gosto de muitos artistas que fazem sucesso, por entender que um artista de sucesso não obrigatoriamente está vinculado a indústria cultural. Como músico sei admitir que muitas dessas bandas e artistas, desde o pop rock, axé, sertanejo e vários outros estilos, possuem ótimos músicos, que estudaram e sabem muito de teoria e prática musical, mas que fazem a meu ver uma música totalmente descartável, transformando a arte num mero produto de mercado.

Pode parecer contraditório eu dizer que ótimos músicos façam música e arte de péssima qualidade. Para tentar ajudar em minha explicação do porque de eu não gostar de tal arte, agora tomo emprestado de maneira superficial, conceitos do que vem a ser a chamada indústria cultural.

“É uma cultura feita em série, industrialmente para um grande número, passa a ser vista não como instrumento de crítica e conhecimento, mas como produto trocável por dinheiro e que deve ser consumido como se consome qualquer outra coisa. E produto feito com as normas gerais em vigor: produto padronizado, como uma espécie de kit para montar, um tipo de pré-confecção feito para atender necessidades e gostos médios de um público que não tem tempo de questionar o que consome. Uma cultura perecível, como qualquer peça de vestuário. Uma cultura que não vale mais como algo a ser usado pelo indivíduo ou grupo que a produziu e que funciona, quase exclusivamente, como valor de troca (por dinheiro) para quem a produz.” “Procurando a diversão, a indústria cultural estaria mascarando realidades intoleráveis e fornecendo ocasiões de fuga da realidade.”
A sociedade de consumo, alienação e reificação, produtos culturais impregnados de uma cultura simplificada.

Para se moldar a esse mercado, temos todo um aparato de gravadoras e produtores ávidos por novos talentos, que se adequem a fórmulas pré-estabelecidas. Procuram por novos jota- quests, novos nx-zeros, novas duplas sertanejas, e o que não faltam são candidatos a conseguir tais vagas. Com certeza com a moda emo ainda apareceram muitos candidatos a serem o novo fenômeno das garotas de 15 anos. Assim, artistas que antes tinham algum mérito artístico por fazer algo novo, fazem de tudo para se encaixar na música do momento, “limpando” letras, sons, trocando de músicos, atitude e ideologia (se algum dia tiveram uma).

Na música independente, nem tudo são flores, claro que não gosto de tudo também. Mas o principal atrativo é a ausência de limites, de regras, há o incentivo de se criar o novo, uma estética nova, pois arte é não só diversão e sentimentalismo barato é se sentir anestesiado por algo que leve a diferentes tipos de emoções, o choque, a náusea, que podem dar muito mais prazer do que qualquer música bem tocada e bem produzida, pois o prazer também contesta.

Pedro Vianna

Pedro Henrique Naves Vianna Vital (Pedrão) é maluco no sinal há 23 anos, toca baixo na banda Você é Livre!? e compõe músicas próprias em seu violão, imaginando sempre, um dia gravá-las. Nas horas vagas é estudante de direito da UFU e sonha em ser jornalista.

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Florbela espanca após o suicídio


Não mais quero mais de mim;
Quero mais que mais do que quero a mim;
Chuvas brancas de confusão limitam-me a amar o amor;
O cheiro da solidão permeia no solo do desejo carnal;
As tentativas de fuga fugiram em meio ao caos da emoção;

Não mais vou ali, mas aqui, aqui dentro;
Aqui? Não mais... um pouco mais além, um pouco mais profundo e profano que aqui;
Aqui e agora longe da afeição, longe da humanidade, longe da racionalidade;
Perto do amor que saí da desilusão do dia-pós ser ameno;
Que seja ameno enquanto dure à dor de viver;

Não mais vou retardar o meu instinto;
Meu instinto de sobrevivência; de vivenciar o autoamor perdido;
Vou antecipar os desejos e equilibrá-los desigualmente sobre a razão de ser;
Vou correr campos floridos da minha imaginação e agir como tal imaginação;
Vou deixar cair frutas vermelhas silvestres no meu chão puro e ingênuo;

Não mais vou desprender meu instinto gata manhosa;
Não mais vou deixar de ronronar em todos os colos – mesmo que por interesse à favor da auto-fé;
Não mais vou desviar meus olhos do animal; vou comê-lo com os olhos e com êxtase;
Vou fazê-lo me mimar até dormir e saber que no outro dia ele estará a querer mais na minha cama; Ó! Quanta luxúria na imaginação.

Não mais vou viver de migalhas; vou viver de pães inteiros;
Vou viver várias migalhas; vou juntá-las em uma só peça íntima minha;
Vou me lambuzar de angústia, mas vou me lambuzar ainda mais de prazer;
Que venham os prazeres momentâneos... para eu saber que existem duradouros;

Não mais quero o não mais; quero desprender da filosofia extremista;
Quero aniquilar o não mais e transformá-lo em quem sabe;
Do extremismo, que sobre o sabor da felicidade e não da frustração por ser extremista; da boca ao desejo, quero gritar a voz do desejo continuamente nos meus dias e incorporá-lo aos meus lábios; lábios extremistas que querem mais voz e mais sensação; para saber que são duradouros no meu íntimo;

Não mais quero buracos de Tempo; quero ápice de Tempos;
Não mais quero analisar o Tempo; quero viver o Tempo e analisar pois;
Não quero mais paralisar no Tempo – quero livrar o Tempo de qualquer paralisia;
Quero o caos do Tempo no nosso tempo; desacelerar o tempo e vivê-lo a cada momento com intensidade, eternidade e desbloqueios;
Quero o Tempo da imperfeição; para avaliar, já tardio, os conceitos de perfeição e logo depois passar ao Tempo da perfeição;

Não mais quero normalidade estratégica; quero loucura desprovida de estratégia;
Quero loucura e quero pessoas – não quero símbolos;
Não quero mais o possuir quero o Possuir A sensação;
Não quero viver todos os dias; quero morrer nos momentos todos os dias até o fim dos meus tempos;