sábado, 31 de outubro de 2009

Hunger

Sinto-me mal. O estado de choque em que me encontro é indescritível. Poucas vezes um filme me levou a este extremo. Chega a ser deprimente. Passei boa parte do filme (baseado em fatos reais) sofrendo com o personagem central, Bobby Sands, que durante as suas seis últimas semanas de vida fez greve de fome e liderou um dos mais violentos motins contra os maus tratos no presídio de Maze, na Irlanda do Norte, em 1981.

As escolhas do diretor estreante Steve McQueen não podiam ser mais acertadas. Ao invés de filmar as cenas do motim, envolver imprensa e uma tonelada de diálogos (que é o que provavelmente seria feito se fosse um filme hollywoodiano), ele se concentrou na violência silenciosa que ocorria no interior da prisão, mostrando os motivos pelos quais os presos iniciaram a revolta. Eram privados de qualquer direitos humanos: higiene não havia, os presos não tinham roupa para vestir nem cama para dormir. Faziam protestos internos, por exemplo, sujando as paredes com merda, derramando toda a urina para fora da cela, tudo organizado pelo cabeça deles, o tal Bobby Sands. Eram ignorados e só tinham as celas limpas e direito a banho (debaixo de porrada até pra isso, claro) quando alguma autoridade maior fosse visitar a prisão. E se fizessem protesto diante dessas autoridades, depois ainda levam cassete em forma do famoso “corredor da morte”. Não havia respeito de nenhuma das partes. Os presos sofriam uma retalhação daqui e se vingavam acolá e a situação ia tomando contornos cada vez mais dramáticos. Até que iniciou-se o protesto mais doloroso e silencioso de todos: o da greve de fome.

Até chegar nesse ponto, somos conduzidos pela trama praticamente pelas imagens. Há poucos diálogos e música. Só o som da tortura. Uma cena excelente quebra o silêncio: Bobby Sands recebe a visita de um padre, logo antes de começar a greve de fome. É nessa cena que se concentram quase todos os diálogos do filme, com os argumentos de cada um. Vinte minutos dessa conversa, sendo cerca de 15 deles com um só plano estático. Diálogos tão bons que fica difícil se desconcetrar da longa conversa.

Depois o sofrimento maior começa: Bobby Sands passa por 66 dias sem comer e vamos, junto dele, agonizando e perdendo os sentidos gradualmente. A competente direção de fotografia de Sean Bobbit é responsável por ângulos e jogos de foco excelentes, nos faz perder a visão em uns momentos, aproxima-nos e afasta-nos dos personagens no momento certo, ajudando a construir o tom dramático que o filme pede.

O trabalho do ator Michael Fassbender é algo de excepcional. O martírio que seu personagem passa é incorporado com assombro por ele. O estado de magreza no qual ele chegou é assustador, mas não é só a isso que se limita sua atuação. Só um ator com muito amor ao seu ofício para conseguir isso. Algo muito parecido foi submetido Christian Bale no ótimo O Operário.

Se você é fraco (a) de estômago e não gosta de filmes torturantes, é melhor não assistir, senão terá que tapar os olhos boa parte do longa.

O filme foi vencedor de 28 prêmios, dentre eles o Camera D'or em Cannes 2008, o BAFTA de melhor estréia para Steve McQueen e o British Independent Award de melhor direção, melhor ator e melhor fotografia.

Infelizmente não conseguiu distribuição no Brasil e por isso, não acho justo sermos privados dessa grande obra e coloco aqui o torrent para vocês. Façam bom proveito!

Uma recomendação: não assistam comendo.

 

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Hunger

(Inglaterra/ Irlanda, 90 minutos, 2008)

Dir.: Steve McQueen

Com Michael Fassbender, Liam Cunningham...

Nota: 9,2

Para ver o trailer, clique aqui.

Postado originalmente no Blog do Fred Burle

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Estamos falidos

Outro dia em um evento estudantil recebi um pequeno jornal de um coletivo de universitários com o título: “Maio de 68 não morreu!”. No Brasil morreu sim, no mínimo está na UTI.  O movimento estudantil está falido e o problema talvez não esteja apenas na despolitização e falta de mobilização do atual estudante brasileiro.  O modelo de ensino nas Universidades do nosso país é claramente voltado para a intensa especialização e descontextualizado, das realidades sociais, econômicas e culturais do país.

Fazendo um apanhado histórico que é de amargurar qualquer ex-militante do movimento estudantil do século passado, o contraste com a situação atual é escandaloso, embora o contexto político “favorecesse”, “estimulasse” e “pedisse” uma maior participação do estudante. Começando pelo famoso ano de 68, em pleno decreto do AI-5 com as enormes manifestações pela redemocratização do país e contra a reforma universitária, sem falar na participação em peso na passeata dos 100 mil. No 2º governo Vargas os estudantes se mobilizaram (mas mobilização de verdade, importante, considerável), pela campanha “O Petróleo é nosso!” e pela entrada do Brasil da Segunda Grande Guerra. Em 1978 o congresso clandestino da UNE em Salvador, as Diretas já em 84 e o Fora Collor em 92. Um currículo que não é de se jogar fora, mas é o que está sendo feito. 

Que os militantes de plantão me desculpem, mas o atual movimento estudantil já não cumpre mais seu papel e cheira à insensatez. A UNE não funciona mais como defensora dos direitos estudantis e está claramente sujeita aos interesses de partidos políticos aliados ao atual governo, o que é comprovado pelo Congresso Nacional dos Estudantes, ocorrido em junho deste ano na UFRJ, onde milhares de estudantes se reuniram com o intuito de boicote e de se tornar uma alternativa à União Nacional dos Estudantes. Algumas ações ainda acontecem, mas sem a devida organização, mobilização e união dos estudantes, como a ocupação da Reitoria da UNB que derrubou o Reitor,  confrontos com a polícia na USP em protesto às ações da Reitora Suely e às eleições indiretas para a reitoria este ano, que uniu estudantes, professores e funcionários, ambas no ano passado. Destaque também para a louvável, embora pouco divulgada pela grande mídia, mobilização dos estudantes no Rio Grande do Sul este ano pelo impeachment da governadora tucana Yeda Crusius e sua (des)atuação lamentável na educação do estado.

Mas agora os ares são outros. A crise do Senado/Sarney passou, o ENEM foi cancelado, dentre dezenas de outros escândalos políticos que podem ser citados que aconteceram somente este ano e que foram na prática esquecidos. Nada foi feito, nenhuma tentativa. É, soaria muito artificial, para não dizer ridículo, um apelo ao “Estudantes de todo o país, uni-vos!”

 

 

Clara Sacco

Em vias de se tornar uma jornalista registrada no papel. Quer antes o lirismo dos loucos, dos bêbados, o lirismo difícil e pungente dos bêbados. Não quer mais saber de lirismo que não seja libertação.

Clique aqui
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Faltam 2 dias pras ações 350

Recentemente participando da Blog Action Day falei sobre a organização 350.org. E o Dia Internacional de Ações Climáticas está chegando e você está convocado a mostrar ao mundo o número 350 no dia 24 de outubro.

350 é o número máximo de partes por milhão (ppm) de gás carbônico na atmosfera que os cientistas dizem ser seguro para o planeta. Além disso, 350 é o número que os líderes mundiais precisam estar ciente ao se encontrarem em dezembro na conferência das nações unidas em Copenhagen (COP15) para firmarem resoluções acerca das mudanças climáticas.

Veja o mapa de eventos programados em todo o mundo. São mais de 4300 em 172 países. Ainda tem tempo de programar uma ação! Veja diversas ações criativas em todo o mundo aqui e comece a sua.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Atitude infantil - infantil atitude - infantil?

Num post anterior aqui no blog, comentei a carência q eu sentia na produção de um material específico para crianças, principalmente no campo da música. Na época do post falei sobre a banda Pequeno Cidadão e como eu estava encantada com o trabalho e falei também q me sentia um pouco triste por saber q o acesso as músicas de O Pequeno Cidadão iriam se restringir aos já fãs do Arnaldo Antunes e algumas dezenas de crianças, infelizmente.

É fato que não é recente a discussão entorno do q uma criança deve ou não ouvir, dos programas de televisão q deve ou não ver e se os shortinhos das paquitas da Xuxa instigavam ou não uma sexualidade precoce das crianças. Mas oq as crianças realmente percebem? As palavras q são cantadas são assimiladas? Os gestos feitos também? Quando vc, qndo criança cantava "Dá pra mim" do grupo Dominó, sabia oq realmente significava a letra? E num momento de infinitas ambiguidades em q vivemos, sabemos perceber o real significado de tudo q ouvimos ou vemos? A minha resposta seria não. A minha é pergunta é "E uma criança?"

Nest post ficam as perguntas, e se todas não são respondidas que fique aqui pelo menos o motivo da minha indignação depois de ver um vídeo como este, onde a única pessoa q compreende tudo oq ocorre é um adulto, que ao invés de instruir monta um circo com pequenos atores q mal sabem oq estão encenando.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Festival Jambolada 2009

Nos dias 21 a 25 de Outubro, acontece em Uberlândia, Minas Gerais a quinta edição do Jambolada, Festival de música independente. Além de trazer música para os nossos ouvidos, trará também leitura, filmes, debates, um encontro Fora do Eixo Minas, entre outras atrações. Vale a pena ir e conferir o que o festival propõe não só para os tímpanos mas também para a mente. Os ingressos já estão à venda; é possivel comprar antecipado o passaporte que garante entrada nos dois dias de shows do festival (23 e 24 de Outubro), já os ingressos separados serão vendidos somente no dia. Para mais informações de preço e atrações estão disponíveis: Twitter, Orkut, MySpace e o Site Oficial do Jambolada.


Blog Action Day 2009: Sobre a 350.org pré COP15

O Blog Action Day 2009 acontece hoje. Já falei um pouco sobre essa mobilização aqui e hoje faço a minha parte escrevendo sobre mudanças climáticas. O movimento já tomou proporções satisfatórias. São mais de 13,188 blogs de 155 países atingindo cerca de 17,887,039 leitores em todo o mundo. E pra dar a minha contribuição falo aqui sobre um movimento muito interessante que luta pela vida amena na terra.

Recentemente foi publicado uma série de artigos científicos que mostram que se quisermos manter um planeta semelhante àquele em que a nossa civilização se desenvolveu devemos diminuir a quantidade de carbono na atmosfera das atuais 387 partes por milhão para pelo menos 350. E é nesse número emblemático que a organização 350.org se apoia.

Em dezembro deste ano acontece uma conferência sobre as mudanças climáticas em Copenhagen, a COP15, que reunirá diversos líderes mundiais para conceber um novo tratado global sobre redução das emissões de CO2. Alarmados pela urgência da necessidade de políticas positivas a 350.org convoca todo o mundo no dia 24 de outubro, seis semanas antes das reuniões da ONU em Copenhagen, para estampar o número 350 de forma que os líderes mundiais saibam onde queremos chegar com estes tratados.

Sabemos que grandes mudanças só acontecem com vontade política. E sabemos também que a vontade política só vem com muita pressão popular. Por isso é tão importante o envolvimento de todos nessa luta pra forçar que as ações sejam pensadas no nosso futuro e no futuro do planeta e não no lucro imediato das grandes corporações e soberania das grandes nações.

O número 350 é universal e rompe barreiras linguísticas e culturais. Devemos usar a nossa criatividade pra mostrar ao mundo esse número crucial. Milhares de ações das mais diversas formas já estão agendadas pra acontecer no dia 24/10. Dê uma olhada no mapa de ações e veja se já existe alguma em sua cidade. Se não existe, ainda dá tempo de começar uma. No final do dia serão publicadas todas as fotos e vídeos feitos durante o movimento e o número 350 será mais visível do que nunca.

A organização tem um grupo no flickr, perfil no youtube, página no facebook, conta no twitter, comunidade no orkut e no myspace. Manter contato não será o problema. Assista ao vídeo ilustrativo abaixo e faça a sua parte.

Música imprevista brasileira

Publicado originalmente no Zine Páginas Vazias.

Coluna Ouvidosnegros
Coluna de um ouvinte dedicado da música negra. Aquela... que pariu o rock que forjou o metal pesado com que se fez – bem no centro do que é rápido e visceral - o som feito morte, feito pancada, feito demônio, feito lixo, feito tristeza que nos fez e nos faz ficar batendo cabeça pelas quebradas.

Música imprevista brasileira
Por Estéfani Martins
opera10@gmail.com
sambluesoul.blogspot.com

Há algumas semanas, em uma das minhas regulares viagens de carro, ouvia para não pegar no sono um clássico do Sepultura, o “Roots”, disco fundamental da banda mineira que unia o metal a percussões indígenas e africanas. Enquanto isso, pensava de onde poderia ter nascido essa coragem inovadora de levar o berimbau, Carlinhos Brown e índios xavantes para o muitas vezes sectário universo do Metal. Numa volta às origens do estilo, ao sagrado Black Sabbath, ou mesmo antes e depois deles, não conseguia ver inspiração para a revolução proposta pelo Sepultura neste disco de 1996.

Ao longo da audição do disco, lembrei-me de alguns debates que havia participado sobre a Tropicália, em função deles e de muitas leituras sobre o assunto feitas no ano de 2008, pude entender a extensão da influência desse movimento nascido da união improvável entre ritmos populares brasileiros (samba, maracatu, embolada, etc.); música pop norte-americana e inglesa, em especial os Beatles e seu Sargent Pepper’s; canção de protesto e antropofagia. Nesse momento, fim da década de 1960, a música popular brasileira vivia uma ebulição já mais vista tanto por causa do início do reconhecimento pelos jovens dos ritmos fundadores de nossa tradição musical como do estabelecimento de canal de comunicação mais rápido e dinâmico com o que acontecia fora do Brasil, desta festa de estímulos nascem músicas de absoluta ousadia estética, por que não política, como Batmacumba. “Roots” é filho torto dessa ousadia, que, aliás, revolucionou a música eletrônica, inspirou o Manguebeat, ou seja, ensinou a todos misturar ritmos sem culpa e sem preconceito. O legado especialmente do disco “Tropicália ou Panis et Circensis” é ter feito a cultura brasileira aceitar definitivamente a origem étnica miscigenada que a determinou, mais do que aceitar, usar com dignidade e de forma criativa o fato de termos nascido em um país de paradoxos e amalgamas, os quais justamente são a base de nossa cultura musical desde então.

Comparada à influência da música brasileira em todo o mundo atualmente, só se pode citar a norte-americana, ainda que de lá venha referências importantes e fundamentais para a música desde então como o Blues, o Country, o Jazz, o Rock, o Funk, o Soul e o RAP; não é em função da tradição musical norte-americana que a música de inúmeros países desenvolveu esse viés imerso no signo da mistura, da mescla e da experimentação que a produção musical atual, especialmente a independente, tem como sua principal característica.

Apesar de recebido à época com certa resistência pelos fãs, o disco “Roots” fundou-se como uma linha divisória na história do Metal e influenciou não poucas bandas posteriormente. Cumpriu, assim, uma função de norte, de orientação para a música feita neste planeta, como, aliás, outros discos antes dele: “Canção do amor demais”, Elizeth Cardoso; “Coisas”, Moacir Santos; “Tábua de esmeralda”, Jorge Ben; “Mutantes”, Mutantes; “Secos e Molhados”, Secos e Molhados; “Cabeça Dinossauro”, Titãs, “Da lama ao caos”, Nação Zumbi; entre felizmente tantos outros. Eis os arquitetos da música brasileira, mais... da música mundial.

Estéfani Martins, professor de Redação e Atualidades do INEICOC, coordenador da CCCult, produtor cultural, gaitista amador, palestrante nas áreas de cultura e multimeios.

Homenagem aos professores

O assassino era o escriba
Paulo Leminski

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito
inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular
com um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético
de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

Um viva à música siberiana

Sempre achei uma bobagem imensa essa ideia geral de que, se alguma coisa se torna amplamente conhecida, sua qualidade é duvidosa em razão disso. Acontece com praticamente todas as vertentes do entretenimento: filmes, livros, canções... Vou ater-me à música, mesmo que, por analogia, tudo possa ser aplicado às outras áreas.

Tenho notado que é um comportamento bem peculiar aos jovens. Em sua ânsia de parecerem únicos, a grande maioria dos universitários que conheço incorre no lugar-comum do "Quando ninguém conhecia, era legal. Agora que virou modinha, não tem mais graça."

Discordo veementemente. Desde quando a qualidade de uma obra é inversamente proporcional à popularidade que ela alcança? O Sgt. Pepper's é um disco pior por ter se tornado conhecido no mundo todo? Stairway to Heaven é realmente tão chata assim? Sei lá, acho ela boa pra caramba. Beethoven, então, tá ferrado, pois sua 5ª Sinfonia virou até musiquinha de consultório. Coitado.

Até o que já é ruim, fica pior. Já cheguei ao cúmulo de ouvir marmanjo dizer que Mallu Magalhães, "o Bob Dylan brasileiro" (-q/), depois da fama, ficou ruim. Oi, Mallu FICOU ruim? Tchubaruba, a-aah.

Entendo que a repetição acaba deixando as coisas mais enjoativas, mas me parece ser mais um caso da tal busca incessante pela tal originalidade, que tanto assola o jovem digital. Por "jovem", leia-se "dos 15 aos 30 anos".

O lance é ser descolado, único e diferente, mesmo que pra isso você tenha que ser exatamente igual a um número incontável de pessoas, que também querem ser únicas e diferentes. Uns fazem o tipo moderninho, outros o intelectual, outros o bicho-grilo, mas, no fundo, como diria o grande filósofo, é tudamemamerda.

O curioso é ver gente papagaiando essa ideia por aí, mas usando pin dos Beatles e camiseta do Laranja Mecânica. São os mesmos que eternizaram a expressão "Globo manipuladora" como a explicação definitiva - e supercabeça - para todos os problemas sociais do país.

Enfim, vou continuar ouvindo Stairway to Heaven. Mas se tem gente que acha que Led Zeppelin é ruim porque foi trilha de novela da Globo, então tá. Paciência. Vou procurar me informar sobre aquela banda siberiana, qual é mesmo o nome dela? Não sei, mas deve ser boa.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Adeus, Chico Bento

Em 1959, Mauricio de Sousa deu origem ao sucesso dos gibis da “Turma da Mônica”, criando nas cabecinhas infantis longas imaginações e fantasias, na qual serviu de estímulo a leitura para muitas crianças, como aula de leitura e ainda assim cria hemorróidas em muitas pessoas que começam a ler um gibi no banheiro e não conseguem parar até chegar as três “tirinhas” da conclusão. O que faz desse gibi tão interessante é a sua capacidade de criação de cada personagem com sua característica, sua simplicidade, e as idéias repetidas, mas que quem gosta não abre mão, mesmo sabendo que a Mônica vai bater no Cebolinha, que o Cascão vai correr se começar a chover... Assim, como no Chaves, a gente já sabe o que vai acontecer, mas a simplicidade em pedaços de isopor que aparece quando uma cadeira é quebrada faz ainda da idéia original, uma ótima opção de lazer, que vem se mantendo em tradição a anos.

Estava eu no aeroporto em Porto Velho-RO, quando entrei em uma grande banca de revistas, com vários tutoriais, cifras, livros, revistas de todos os tipos, passatempos... Mas a minha vontade era mesmo da ligeira leitura da Tuma da Mônica, em especial o Chico Bento. Perguntei a atendente sobre os gibis, e ela respondeu:

Os antigos a gente não está tendo mais, agora temos a nova edição completa da Turma da Mônica jovem.
Olhando a prateleira eu me deparei com os novos gibis. Para a minha decepção os gibis que eu tanto gostei foram trocados pelos gibis transformados em novela, e as bancas estão sendo obrigadas a aderirem a novidade, assim como a música popular brasileira vem sendo a voz do cantor Latino, MC Léozinho... Enquanto a algum tempo atrás se tocava na rádio Caetano e Gilbeto Gil e não havia beijos nos gibis. Mas as gerações nunca são iguais, igual as pessoas que viveram os movimentos dos anos 70, devem achar uma bobagem o estilo de vida da minha juventude.

Mas lamento a diminuição e intoxicação dos clássicos gibis no mercado nacional, quando o Cebolinha já não tloca mais o R pelo L, o Cascão passa a tomar banho e usar brinco e a Mônica faz regime. São as conseqüências do capitalismo em contradição com a arte e cultura. Forçando os gibis a virarem uma novidade, com a alienação junto às novelas para jovens, acertam o ponto fraco dos adolescentes e forma um comércio em base a fraqueza e sede de conhecimento conseqüentes dos poucos investimentos em educação.

A bola de neve vem sendo formada, com a música, a leitura, a televisão, o rádio... O destino das crianças que lêem turma da Mônica Jovem é assistir malhação, novelas, escutar a música que obriga a rádio, a ficar em frente ao computador conversando em bate papo criando formas de linguagens que serão utilizadas sem querer na redação da escola e desaprendendo o português, ou comprar revistas de fofocas e capítulos de novela, se é que até lá ainda existirá algum estímulo pela leitura em papel.

Adeus Gibis da Turma da Mônica, adeus Chico Bento.

sábado, 3 de outubro de 2009

Pequenas mudanças no blog

Talvez você não tenha notado mas o blog sofreu algumas pequenas mudanças. São sutis mas proporcionam maior interação com o conteúdo.

Nos comentários a mudança foi que agora a plataforma é toda em português, eles aparecem no estilo drop down, ou seja, a caixa é expandida de forma que você não precisa acessar outro link pra comentar, e agora a plataforma tem integração com o Twitter, Facebook, OpenID e IntenseDebate. Isso significa que ao logar em algum desses sites você será melhor identificado e ganhará interação com o blog, como compartilhar aquele comentário no Twitter ou no Facebook, manter um histórico dos seus comentários e respostas a eles no IntenseDebate ou usar sua conta universal do OpenID pra se identificar. Então quando for comentar é legal fazer login em algum desses sites, mas você ainda pode comentar colocando só o seu nome.

Outra mudança foi que agora abaixo de cada postagem aparece o botão share que permite compartilhar a postagem rapidamente no twitter, facebook, myspace, blogger, por email, adicionar aos favoritos e etc. Então sempre que ver algo legal por aqui compartilhe!

Eco4planet

Lançado pelo Google e com a mesma qualidade, o Eco4planet é um site de buscas, com visual simples para gerar economia de energia. Em agosto foi anunciado oficialmente que o Eco4planet plantará árvores de acordo com o número de pesquisas realizadas através do site. Bela iniciativa, com pequenas ações como esta, temos resultados inesperados. Vamos divulgar!


Para saber mais, clique aqui.