Ao se avaliar a reação de algumas pessoas sobre a reconstrução total (e necessária) do Teatro Grande Otelo, parece até que se propôs demolir a Capela Sistina e o magnífico afresco de Michelangelo que adorna seu teto. Menos pessoal, menos. Sou seguramente contra a demolição de qualquer monumento de real valor histórico, por mais insignificante que possa parecer a muitos, disso ninguém duvide. Mas no que diz respeito ao teatro em questão, venhamos e convenhamos não há nada, absolutamente nada que justifique reações tão iradas, nervosas e intempestivas.
William H. Stutz
Veterinário Sanitarista
Três meses depois da declarada opinião do sanitarista William H. Stultz pelo Jornal Correio de Uberlândia, e de decorrentes manifestações contra a demolição do Teatro Grande Otelo, hoje, 23 de Maio de 2011, foi assinada pelo Juiz João Ecyra a liminar que impede a demolição do Teatro, construído em 1966 e revelado patrimônio da cidade. Liminar com certeza também vista pelo veterinário sanitarista como uma reação "não justificada, irada, nervosa e intempestiva", com a diferença que agora a ira é "legal".
A cerca da visão atada do veterinário, tenho a opinar que ela se explica por sua formação acadêmica, mas não se justifica quanto a seu cunho pouco totalizante. A opinião que tenho a dar nessa resenha também pode se limitar a minha formação de arquiteta e urbanista mas jamais entrarei em aspectos que desconheço ou limitar a discussão sem prever o contexto material e imaterial que circunda o Teatro Grande Otelo.
O laudo técnico apresentado pelo prefeito Odelo Leão, que afirma a necessária demolição do teatro não está errado. E eu nem teria um contra-argumento para "desmentí-lo" ou contestá-lo. Mas a discussão não é a validade do laudo apresentado pelo prefeito! Veja bem Senhor Stultz! Do que vale um atestado de demolição sem um atestado de restauração? Sem um projeto de revitalização e readequadamento do espaço? Sem a garantia que os profissionais que dependem desse tipo de edifício terá o Teatro Grande Otelo reconstruido? Profissionais esses que não estão irados sem justificativa mas desiludidos com as promessas já descumpridas ene vezes. Demolido para vir a ser erguido daqui mais 10, 15 ou 20 anos, prefiro que a natureza seja encarregada de encerrar o ciclo vital do Teatro Grande Otelo!
O que o prefeito Odelmo Leão não reconheceu não foi o que o Juiz João Ecyra alegou ser o Teatro Grande Otelo - um patrimônio integrante do contexto urbano da cidade e por isso passível de proteção legal - mas o fato incontestável de que estamos fartos de atestados. Atestados de demolição...atestados do descaso do poder público ou o atestado de nossa tardia manifestação. O que se reinvindica é uma ação que justifique qualquer mínima intervenção desse patrimônio, e que, principalmente, suceda seu uso para aqueles que dependem desse espaço cultural, profissionais e gozadores de produção cultural. Distante disso, dou a natureza todo poder...meu culto à ruína.
