Eu tenho meu pé atrás com quem se diz Marxista em pleno século XXI. Tanto porquê posso dizer com absoluta certeza que grande parte dessas pessoas só leram (se leram) Marx no colegial, incentivados pelo professor de sociologia. E isso porque não acredito que um adoslecente de 16, 17 anos consiga ler Marx. (Eu, com meus vintes e poucos não consigo se não tiver um professor do meu ladinho explicando tudo.) Minha pergunta sempre foi: Será que devemos ainda enxergar a sociedade como um atrito burguesia x operários? Comunismo x Capitalismo?
Já em 1918, o teórico Antonio Gramsci discutia a morte e a ressureição do Marxismo. Granmsci atualizou Marx para a democracia e o pensamento esquerdista e considerou a luta não-armada e cultural como o processo para as novas revoluções. O texto Marx e o Reino da Consciência é uma leitura gostosa pra quem compartilha comigo os mesmos questionamentos. O texto já começa com uma frase um tanto pertubadora:
Somos marxistas? Existem marxistas? Somente tu, estupidez, és eterna. Essa questão provavelmente ressuscitará estes dias, por ocasião do centenário, e consumirá rios de tinta de estultice. A vã quinquilharia e o bizantinismo são heranças imarcescíveis dos homens. Marx não escreveu um catecismo, não é um messias que tenha deixado uma fieira de parábolas carregadas de imperativos categóricos, de normas indiscutíveis, absolutas, fora das categorias do tempo e do espaço. Seu único imperativo categórico, sua única norma é: "Proletários do mundo inteiro, uni-vos." Portanto, a discriminação entre marxistas e não marxistas teria de consistir no dever da organização e da propaganda, no dever de organizar-se e associar-se. Isto é muito e, ao mesmo tempo, muito pouco: quem não seria marxista? E, sem dúvida, assim são as coisas: todos são um pouco marxistas sem o saber. Marx foi grande e sua ação foi fecunda não porque tenha inventado a partir do nada, não por haver engendrado com sua fantasia uma original visão da história, mas porque com ele o fragmentário, o irrealizado, o imaturo, se fez maturidade, sistema, consciência. Sua consciência pessoal pode converter-se na de todos, e já é de muitos; por isso Marx não é apenas um cientista, mas também um homem de ação; é grande e fecundo na ação da mesma forma que no pensamento, e seus livros transformaram o mundo, assim como transformaram o pensamento. (continue lendo aqui)
