Quando vivemos algo ou quando fazemos parte desse algo, melhor o compreendemos para falar a respeito, não é mesmo? Eu posso gastar horas conversando sobre arquitetura e vou estar muito certa de cada frase que falarei, mas se eu falar (sei lá) de economia, tenho que ser bastante cautelosa para falar a respeito, no mínimo fazer uma pesquisa antes de soltar qualquer bobagem.
"Apenas o Fim" é um filme feito por um jovem cineasta, falando da juventude que o cerca, amizades, faculdade, sonhos, amor. E talvez seja por isso que o filme dê tão certo, mas não queria tirar o mérito do diretor Matheus Souza, afinal, já dizia Hitchcock, em um filme, comunica-se mais com a imagem e, as vezes, abusar do diálogo pode ser uma faca de dois gumes, a estética pode se tornar apenas estética e o diálogo, apenas diálogo, e quando isso acontece, convenhamos, não a justificativa para um longametragem. Claro, não é isso o que acontece em "Apenas o Fim". Por mais que o filme se passe quase em uma hora real corrida de diálogos entre os até então namorados Tom e "Fulana", a compreemsão ainda está nas entrelinhas. A conversa entre os amantes serve para esconder os sentimentos, a dor, a confusão, daí a imagem chega no momento certo para nos esclarecer q as coisas não estão tão "frias" assim. Dessa forma, como é na realidade, engulimos o choro, nos escondemos para parecermos fortes, afinal, na contemporaneidade, é ridículo sofrer de amor. E os pontos chaves do filme estão nesses momentos em que a imagem nos diz mais que todo o diálogo até então entre os dois amantes, mesmo sabendoque não compreenderíamos a dor do protagonista se todas aquelas bobagens são tivessem sido ditas minutos antes.
Não se preocupe esse não é mais um daqueles filmes que parecem repetir em mensagem subliminar "chore...chore...chore", "Apenas o Fim" fala de amor, sem que esse precise ser bobo ou sensível demais para nos tocar. Nas palavras dos protagonistas "falar de amor é clichê ou falar que falar de amor é que é clichê? A resposta está no "como" e o jovem Matheus soube muito bem "como" fazer.
Há muito não escrevo no Idearium, mas o ano passado foi duro e longo. Seja como for, estou de volta, aos que se interessam pelos afins que vivo e penso. Neste fim de ano, no pouco tempo que tive para pensar outra coisa que não dar aulas, pensar em propaganda e escrever material didático, fiz algumas viagens gastronômicas e cervejeiras por prazer e em função de um projeto que estou desenvolvendo com dois amigos para este ano. Visitei muitos bares legais em SP e BH envolvidos com a cultura cervejeira. Nos próximos posts, escrevo um pouco sobre essas viagens delirantes, sobre os lugares que visitei e recomendo, além das cervejas e comidas das quais me servi.
Aproveito para convidar os interessados e interessadas na cultura cervejeira a criarmos uma confraria que se reúna mensalmente para degustar cervejas e falar sobre essa cultura, quem sabe até faremos a nossa própria cerveja em breve. Espero contatos.
entre os yanomami todas as necessidades são atendidas ao preço de uma atividade média de três horas de trabalho por pessoa e por dia. (...) essa gente passa vinte e uma horas por dia sem fazer nada.
pierre clastres, em "arqueologia da violência - ensaios de antropologia política". pense sobre, homem branco.
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